Não há bala de prata para reduzir o spread, diz Febraban

O presidente da entidade, Murilo Portugal, lembrou que essa diferença já foi reduzida em dezembro e que deve continuar a cair

Sob pressão do governo para reduzir o spread (diferença entre o que os bancos pagam para captar recursos e o que cobram para emprestar), a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) chamou uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (6) para dizer que não há "bala de prata" para resolver o problema.

O presidente da entidade, Murilo Portugal, lembrou que essa diferença já foi reduzida em dezembro e que deve continuar a cair, ao mesmo tempo em que listou uma série de fatores que, para a Febraban, impedem uma queda mais acentuada do spread.

Entre esses pontos, segundo ele, estão a dificuldade de se executar garantias em caso de não pagamento por empresas e consumidores, os elevados custos administrativos de se operar no Brasil e a alta carga tributária. "Já começou a cair o spread e eu acho que vai continuar a cair. O crédito possivelmente vai retomar neste ano e essa agenda [de redução do spread] vai prosseguir. Em qual velocidade, eu não sei", afirmou. "Não há bala de prata".

O spread da pessoa física recuou de 33,00 pontos percentuais em novembro para 31,86 pontos em dezembro -pouco mais de um ponto percentual. Ante dezembro de 2015, entretanto, houve aumento de 5,3 pontos percentuais. Em um momento em que a economia demora a reagir, o governo vem exigindo, nos bastidores, uma redução mais acentuada dos juros.

Como forma de viabilizar essa queda, a equipe econômica avalia mudanças no cadastro positivo de bons pagadores e alterações na lei de recuperação judicial, entre outras medidas em estudo.

"[A equipe econômica] está tratando do assunto de maneira racional, manifestando preocupação de que tem que baixar juros e spread", disse o executivo ao ser questionado sobre a pressão do governo. "Concordamos com isso".
O presidente da entidade distribuiu aos jornalistas uma tabela que mostra que, em 2015, o setor bancário foi o sexto de maior rentabilidade no Brasil. Os três primeiros colocados no ranking também são relacionados ao setor financeiro: capitalização, previdência e vida e seguros.

"Há uma crença de que somos líderes de rentabilidade, mas não somos", declarou.
Portugal afirmou ainda que é necessário avaliar com calma as razões para o spread elevado. "O primeiro passo é ter um bom diagnóstico da situação, sob pena de se adotar os remédios errados, para não se gerar efeito colateral negativo", disse.
Ele declarou que, no passado, o diagnóstico de que o problema era a falta de concorrência no setor bancário acabou levando ao uso dos bancos públicos, durante o governo Dilma, para "forçar" a redução do spread, com resultados insatisfatórios.

Portugal destacou ainda que a Justiça brasileira é mais lenta do que a de outros países, o que acaba por dificultar a recuperação do bem dado em garantia a empréstimos. De acordo com o presidente da Febraban, a Lei de Recuperação Judicial, de 2005, só recupera em média 6% das empresas. "Nos EUA, quando uma empresa entra em falência, a cada um dólar se recupera 80 centavos. Em países emergentes, 35 centavos. No Brasil, o valor é de 16 centavos", disse.

Ele também afirmou que a entidade realizou um estudo em 2011, que nunca foi divulgado, de comparação entre o custo do risco de crédito no Brasil e em outros 12 países. "A conclusão é que o risco de crédito no Brasil é quatro vezes maior do que nesses países".

O mesmo estudo mostra, segundo o executivo, que os custos operacionais dos bancos no Brasil são três vezes maior do que a média desses 12 países. "Aí tem custos trabalhistas, por exemplo, e a segurança física das agências bancárias. Os bancos gastam R$ 9 bilhões por ano só com segurança bancária. Temos 68 mil vigilantes contratados".

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