Negociação de acordo comercial com os EUA começou, diz Guedes

O governo brasileiro informou que buscará um acordo ambicioso e que envolva alterações nas tarifas de transações internacionais

A primeira audiência pública da comissão especial que discute o mérito da reforma da Previdência durou pouco mais de oito horas.A primeira audiência pública da comissão especial que discute o mérito da reforma da Previdência durou pouco mais de oito horas. - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Após encontro com o secretário de comércio americano, Wilbur Ross, o ministro Paulo Guedes (Economia) anunciou nesta quarta-feira (31) que oficialmente foram iniciadas as negociações para um acordo comercial. "O que era só um pensamento, agora é o seguinte: já estamos oficialmente começando as negociações com os Estados Unidos."

Guedes minimizou a preocupação de Ross, que, nesta terça (30), disse que o acordo bilateral depende do desfecho entre Mercosul e União Europeia. Os dois blocos concluíram as negociações em junho.É possível conciliar acordos com o bloco europeu e com os americanos, avalia o ministro.

Segundo ele, o Brasil tomou uma decisão de elevar sua integração no mercado global e, num momento de guerras comerciais, isso coloca o país numa posição de interesse internacional. "O Brasil entrou em campo. Então, vieram os americanos também conversar."

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O governo brasileiro informou que buscará um acordo ambicioso e que envolva alterações nas tarifas de transações internacionais.

Os americanos, por exemplo, querem aumentar as vendas de etanol para o Brasil. Eles usam o milho como base de produção de etanol e isso torna a mercadoria mais barata.

Como contrapartida, Guedes citou que o Brasil pretende, então, aumentar as exportações de açúcar para os Estados Unidos. Assim, os empregos e a produção dos canaviais seriam mantidos ou até elevados. "Para a gente poder abrir para eles entrarem com o etanol, o que é muito bom para o Brasil, porque chegam aqui 30% ou 40% mais barato que o nosso etanol, mas, por outro lado, a gente tem que usar nossa tecnologia flexível e colocar o açúcar lá", declarou o ministro.

Guedes também citou discussões para vendas de autopeças brasileiras e, em troca, os Estados Unidos poderiam ter mais mercado para trigo no Brasil.

Subsídio também deve ser um ponto a ser debatido, o que é considerado normal para a equipe econômica. "Os ganhos são tão maiores que, quando a gente vai conversar os detalhes, os obstáculos, a gente vê como eles são menores", comentou Guedes.

Para um acordo que envolva tarifas comerciais, o Brasil precisaria do apoio do Mercosul.

Para um acordo sem mudanças nas tarifas, as tratativas seriam bilaterais e na área de facilitação de comércio, propriedade intelectual, telecomunicações e convergência de regulações.

O ministro reforçou que os Estados Unidos vão apoiar a entrado do Brasil na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Por outro lado, o país comandado por Donald Trump defende mais diálogo com o Brasil na área de patentes e licenças.

"Existe um nível de aproximação que interessa aos dois lados." Segundo Guedes, o governo americano estuda uma aliança estratégica para todo o continente americano, em vez do Nafta (Acordo Norte-Americano de Livre Comércio).

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