Dom, 08 de Março

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OPINIÃO

Nobel de Economia vê "utopismo" na América Latina

Autor de "Por que as nações fracassam" vê impacto em políticas públicas com desequilíbrio entre o que é real e ideal na AL

James A. Robinson, do Reino Unido, laureado com o Prêmio Nobel de Economia de 2024James A. Robinson, do Reino Unido, laureado com o Prêmio Nobel de Economia de 2024 - Foto: John Sears / Wikipédia

O economista britânico James Robinson, Nobel de Economia em 2024 e autor do best seller “Por que as nações fracassam” afirmou ontem em palestra no Fórum Econômico Internacional da América Latina (AL) e Caribe, na Cidade do Panamá,que vê uma perspectiva positiva na região, mas alerta para o clientelismo:

— Se você olhar para o panorama geral, há 35 anos, a renda per capita na América Latina era, em média, cerca de 20% do nível dos EUA. Agora, ainda é cerca de 20%.

Robinson destacou o que chamou de “utopismo” que se manifesta em diversos aspectos da sociedade, inclusive nas políticas públicas, que é o desequilíbrio entre o que é real e o que é o ideal.

Segundo ele, esse desequilíbrio cria um clientelismo nas políticas, em que a resolução de problemas ocorre por meio de mediação política personalizada.

— O Estado promete fornecer serviços e direitos às pessoas, o que não consegue cumprir. Ele quer, ele espera, mas na realidade é utópico.

Cultura da informalidade
Em sua palestra, Robinson abordou a questão da informalidade econômica:

— Há muita criatividade no setor informal. Não costumávamos pensar assim, porque considerávamos o setor informal como uma espécie de perversão: trapaceiam, não pagam impostos, sonegam. Mas quero que pensemos sobre isso de forma diferente. É uma manifestação geográfica. É a realidade junto com o ideal. A realidade é o setor informal, e o ideal é o setor formal. E aqui na América Latina eles podem estar lado a lado.

O economista comparou o tratamento dado aos imigrantes na Europa e na América Latina, um continente mais pobre, mas que, sefgundo ele, cria segurança social para absorver um grande número de pessoas.

Robinson diz que o caso dos refugiados venezuelanos, que foram para países como Colômbia e Brasil, entre outros da região, “mostra a capacidade dos latinos de coexistir, de se respeitar, de se tolerar e de resolver os problemas uns dos outros”.

Ele afirmou que atualmente há 3 milhões de refugiados venezuelanos na Colômbia, sem trazer conflitos e recebendo assistência social e oportunidades. Enquanto na Europa há um milhão de refugiados sírios, que provocaram reações muitas vezes ferozes que, segundo ele, fizeram surgir partidos de direita anti-imigração.

— Isso não existe na Colômbia. Há uma grande capacidade de a América Latina, que é um continente mais pobre, criar oportunidade e segurança social para todas essas pessoas, absorver esse contingente. Isso contrasta com os Estados Unidos, que têm 500 mil venezuelanos, com um movimento intenso de expulsão dos imigrantes neste momento — disse o economista.

Por fim, ele se referiu ao Brasil:

— É o país do futuro mesmo. Vocês conquistarão muitas coisas, mas para fazer essas coisas, às vezes, a gente erra.

O Fórum Econômico América Latina e Caribe é realizado pelo CAF e tem parceria de mídia do GLOBO e do Valor Econômico.

Para Robinson, isso mostra a capacidade dos latinos de coexistir, de se respeitar, de se tolerar e de resolver os problemas uns dos outros. 

Por fim, o economista se referiu ao Brasil, lembrando da frase, usada atualmente como  ironia, de que é um país do futuro.  

_ O Brasil é o país do futuro mesmo. Vocês vão conquistar muitas coisas, mas para conseguir fazer essas coisas, às vezes, a gente erra. 

O Fórum Econômico América Latina e Caribe é realizado pelo CAF e tem parceria de mídia do GLOBO e do Valor Econômico.

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