Nomes dos prédios têm história para contar no Recife

Existe razão para o nome dos imóveis. Homenagear alguém é o motivo mais usado pelas construtoras

A EsperaA Espera - Foto: Divulgação

 

Detalhes da arquitetura das casas do Recife sempre chamaram a atenção dos transeuntes mais atentos, algumas ainda sobrevivem, mas o cenário mudou, cedendo lugar aos espigões, aparentemente mais impessoais e com pouca história. O que poucos sabem, porém, é que, além de tijolo e concreto, esses edifícios têm algo para contar. E tudo começa pelo nome. Afinal, quem não sabe o nome de alguém, não conhece verdadeiramente a pessoa, certo? Essa premissa se encaixa também para as construções.

 Encontrar um nome que seja impactante e que represente bem o produto é um dos desafios das construtoras, mas homenagens são outros pontos levado em consideração.

A Folha de Pernambuco procurou algumas construtoras para saber o que as motivou para “batizar” alguns de seus empreendimentos. 
Nas ruas da Zona Sul e Norte da Cidade, provavelmente você já tenha se deparado com alguns prédios cujo primeiro nome é Maria. Seja Maria Augusta, Maria Emília ou até Maria Lígia. Eles são da Queiroz Galvão. Essa tradição começou quando o fundador da empresa, Antônio Queiroz Galvão, quis homenagear a mãe, Maria Augusta. E esse foi o nome do primeiro prédio da construtora, localizado no bairro das Graças, Zona Norte do Recife. Os demais começaram a surgir de maneira aleatória, mas em ordem alfabética.

Foi o que contou a superintendente Comercial e de Marketing da Queiroz Galvão, Carol Boxwell.
O icônico e secular prédio da cidade, sem dúvida, foi o Caiçara - demolido de forma polêmica em abril deste ano. Talvez você não faça ideia de onde venha esse nome, mas com certeza o viu na sua magnitude arquitetônica na orla de Boa Viagem, na Zona Sul.

Ele foi construído em 1942 pelo investidor e proprietário Waldemir Miranda, que era médico. Foi chamado assim porque Miranda quis homenagear a sua cidade natal: Caiçara, na Paraíba.
No mesmo bairro e não menos representativo, conhecido por todo recifense, está o Holiday. Construído em 1956 e projetado pelo engenheiro Joaquim Rodriguez, o arranha-céu (que, traduzido do inglês, significa ‘feriado’) foi idealizado para servir de casa de veraneio. Localizado a 50 metros da praia, chegou com um conceito modernista e, hoje, abriga cerca de duas mil pessoas em seus 400 apartamentos espalhados em 17 andares. A gerente geral de Preservação do Patrimônio Cultural da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), Márcia Chamixaes explica que - nos meados dos anos 50 - a influência norte-americana era muito presente e se tentava copiar o estilo de vida americano. “O ‘boom’ do cinema hollywoodiano foi um dos grandes precursores dessa fantasia almejada pelo brasileiro”, analisa.
Não é preciso viajar no tempo para ver outras histórias interessantes. Para a Moura Dubeux, é muito simples escolher o nome de um empreendimento. “Quando não existe alguma homenagem, procuramos nomes que remetam à história do local ou terreno”, explica o diretor da construtora, Homero Moutinho. Como exemplos, o edifício Venâncio Barbosa, em Olinda, e o Salomão Kelner, na Madalena, Zona Norte. Ambos são homenagens aos antigos proprietários dos terrenos.
Na mesma linha, o empreendimento Reserva Villa Natal, da construtora MRV. Ele ganhou esse nome porque incorporou o terreno que era anteriormente uma fazenda com o mesmo nome. “Mantivemos várias características da fazenda, preservamos as áreas verdes e deixamos o nome justamente porque já era um lugar conhecido e tido como ponto de referência”, explicou o gestor comercial da construtora, Diogo Lemos. São diferentes histórias e diferentes nomes. Controversos ou não, trata-se de uma maneira de eternizar nomes e histórias na modernidade vertical recifense.

 

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