Economia

Nos EUA, presidente do BNDES defende acordo de livre comércio com a China

Segundo Levy, tratados desse tipo têm contribuído para a redução da pobreza nos últimos anos e devem ser estimulados

Joaquim Levy, presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)Joaquim Levy, presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O presidente do BNDES, Joaquim Levy, defendeu nesta terça-feira (7) acordos de livre comércio com países como a China em meio à guerra comercial entre os EUA e Pequim. Segundo Levy, tratados desse tipo têm contribuído para a redução da pobreza nos últimos anos e devem ser estimulados.

"Claro que queremos livre comércio. Brasil e EUA são grandes exportadores para a China, exportam muita comida, e acreditamos que isso vai continuar a crescer. Vamos estimular a parceria com países da Ásia", afirmou o presidente do banco público durante palestra em Washington.

Diante de uma plateia de empresários e investidores, em evento organizado pelo Council of the Americas, Levy foi questionado sobre a ameaça do presidente Donald Trump que, no domingo (5), afirmou que aumentaria de 10% para 25% as tarifas sobre US$ 200 bilhões (R$ 788 bilhões) em produtos chineses a partir de sexta-feira (10).

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A declaração de Trump teve impacto inicialmente negativo nos mercados globais, que abriram em queda nesta segunda-feira (6) mas, durante o dia, absorveram a análise de que a retórica do americano era uma estratégia de negociação e não um indicativo de ruptura com Pequim.

Uma delegação chinesa está se preparando para chegar a Washington nesta quarta-feira (8) para tratar do assunto e espera-se que um acordo saia em breve.

Especialistas que acompanham a guerra comercial entre EUA e China desde o ano passado afirmam que as tratativas estavam mornas há pelo menos dois meses e, sem novidade no horizonte, Trump decidiu ele mesmo criar um fato político para levar os chineses à mesa de negociação mais rapidamente.

O acordo entre EUA e China, acreditam esses analistas, deve sair nos mesmo termos previstos, com proteção à propriedade intelectual, queda de tarifas e lista negativa de investimentos na China -para empresas americanas investirem em solo chinês.

Sobre questões internas, Levy defendeu a reforma da Previdência, principal bandeira da equipe econômica do governo Jair Bolsonaro, e disse que o Brasil está passando por "uma mudança profunda", com mais liberdade para os mercados, aceleração das privatizações e oportunidades em setores como portos, rodovias e aeroportos.

"As oportunidades estão lá, as pessoas estão esperando [para investir]. Isso é o que está acontecendo no Brasil. Os resultados estão chegando", disse Levy, ao destacar que a qualidade do investimento -e dos projetos apresentados pelo país aos parceiros externos- é o que deve ser perseguido pelo governo.

Investidores americanos têm observado com atenção o andamento da reforma da Previdência no Congresso e apostam no sucesso -e no tamanho- do projeto que será aprovado pelos parlamentares antes de colocarem de fato seu dinheiro no Brasil.

Levy disse ainda que a parceria com os EUA tem crescido nos últimos anos, principalmente com Bolsonaro, e que um dos objetivos é investir nos acordos que envolvam alta tecnologia -o uso comercial da base de Alcântara, por exemplo, foi fechado após a visita do presidente brasileiro a Washington, em março.

Contrariando parte do governo Bolsonaro, que tem discurso controverso sobre o tema, o presidente do BNDES disse que o Brasil tem comprometimento com questões como a da mudança climática e da produção sustentável. Para ele, um país que tem agricultura forte e que fornece alimento para tantos lugares do mundo precisa fazê-lo de maneira sustentável.

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