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Justiça

Nova decisão de Dino amplia pressão no Congresso por lei sobre supersalários

Medida do ministro do STF é vista por deputados e senadores como estímulo para que o Legislativo regulamente as chamadas verbas indenizatórias

, Dino afirmou ter havido uma "multiplicação anômala" de verbas indenizatórias utilizadas para elevar remunerações além do limite previsto na Constituição, Dino afirmou ter havido uma "multiplicação anômala" de verbas indenizatórias utilizadas para elevar remunerações além do limite previsto na Constituição - Foto: Luiz Silveira/STF

A nova decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino que proibiu a criação de benefícios capazes de ultrapassar o teto constitucional do funcionalismo público foi recebida com apoio por deputados e senadores, que passaram a defender a aprovação de uma lei geral para disciplinar o pagamento de verbas indenizatórias e conter os chamados supersalários no serviço público.

Parlamentares avaliam que a medida reforça a necessidade de o Congresso estabelecer regras uniformes para evitar que diferentes Poderes e órgãos autônomos criem mecanismos próprios de remuneração que acabam permitindo pagamentos acima do limite constitucional, hoje fixado em R$ 46,3 mil.

— O Congresso precisa fazer uma lei para enfrentar esse tema de forma estrutural. Isso está colocado na própria decisão do ministro Dino — afirmou o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), autor da proposta de reforma administrativa que prevê medidas para restringir penduricalhos no serviço público.

O tema une parlamentares da base e da oposição. O senador Cleitinho (Republicanos-MG) também elogiou a medida e defendeu a regulamentação do assunto pelo Congresso.

— Decisão ótima. É preciso que a gente regulamente logo isso. Quero ver se consigo propor uma lei, vou enviar um ofício para o Dino e ver se ele tem sugestões — disse.

Há, contudo, críticas à atuação do ministro. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) afirmou que a discussão deveria ser conduzida pelo Legislativo.

— Julgo que ele (Dino) deveria voltar para o Legislativo. O autoritarismo de velho comunista não o abandona.

A elaboração de uma norma geral sobre o tema já foi defendida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que afirmou, no início do mês, que o Congresso deverá assumir o debate diante da cobrança da opinião pública.

— Com a mesma coerência de quem defende a reforma administrativa, nós estamos aqui para dizer que a decisão do ministro Dino foi feliz. Vamos fazer essa discussão, porque é isso que a sociedade nos cobra — declarou Motta.

A decisão mantém e amplia liminar concedida no início de fevereiro, determinando que órgãos dos Três Poderes detalhem, em até 60 dias, todos os pagamentos realizados acima do teto e proibindo a criação de novas leis ou atos administrativos que instituam benefícios capazes de contornar o limite remuneratório.

Reservadamente, parlamentares admitem que a intervenção do STF acaba funcionando como um freio institucional diante da dificuldade política do próprio Congresso em avançar sobre medidas que restrinjam vantagens remuneratórias.

Segundo um deputado ouvido pela reportagem, a medida evita novo desgaste público semelhante ao registrado em debates recentes sobre benefícios concedidos a carreiras do serviço público, além de inviabilizar a derrubada do veto do presidente Lula sobre o projeto que permitia extrateto a servidores do Legislativo.

A manifestação de Dino foi proferida no julgamento de embargos apresentados em reclamação movida por procuradores municipais de São Paulo, mas teve seus efeitos ampliados diante do que o ministro classificou como descumprimento “massivo e generalizado” da jurisprudência do STF sobre o teto constitucional.

No despacho, Dino afirmou ter havido uma “multiplicação anômala” de verbas indenizatórias utilizadas para elevar remunerações além do limite previsto na Constituição.

O tema deve voltar ao plenário do Supremo no próximo dia 25. Integrantes do Congresso avaliam que o julgamento tende a ampliar a pressão para que deputados e senadores avancem na elaboração de uma norma nacional capaz de uniformizar critérios para pagamentos indenizatórios e reduzir disputas recorrentes entre Legislativo, Judiciário e órgãos de controle sobre o alcance do teto salarial.

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