Novo presidente do Bradesco descarta compra de concorrentes

Octavio de Lazari Junior foi escolhido pelo conselho de administração do Bradesco para substituir Luiz Carlos Trabuco na Presidência Executiva do banco

Agência do BradescoAgência do Bradesco - Foto: Reprodução/ Internet

Octavio de Lazari Junior, escolhido pelo conselho de administração do Bradesco para substituir Luiz Carlos Trabuco na Presidência Executiva do banco a partir de março, avalia que não há oportunidades de compra que façam sentido para o banco no país. Em entrevista concedida na tarde desta segunda (5), na sede administrativa do banco, na Cidade de Deus, em Osasco (SP), ele afirmou que o último grande negócio no mercado era o HSBC, comprado pelo Bradesco em 2015.

"Não há nada para ser adquirido. O último grande negócio que existiu foi o que o Bradesco comprou. Não há nada mais no radar para a gente comprar, até porque continuamos a aproveitar melhor todas as eficiências e oportunidades que esse banco trouxe para nós. A gente precisa avaliar", disse Lazari.

Leia também:
Santander Brasil e banco dos Brics fazem parceria para infraestrutura
Bradesco terá horário ampliado para pagamento de servidores do Recife


Segundo ele, o Bradesco continuará crescendo pelo ganho de eficiência, com corte de custos e aumento de receitas para compensar a queda na taxa de juros. Lazari também afirmou que o banco manterá as atenções voltadas para o Brasil, e não pensa em internacionalização no momento.

"A gente tem muito claro nosso trabalho com o povo brasileiro, temos nossos negócios aqui. Temos muita coisa para fazer no Brasil, é um país de dimensões continentais, então temos muitos negócios a fazer aqui", disse.

Além da escolha de Lazari para substituir Trabuco, o banco anunciou outras mudanças em sua estrutura nesta segunda (5). Quatro vice-presidentes foram indicados para compor o conselho de administração da instituição.

Domingos de Abreu, Alexandre Glüher, Josué Augusto Pancini e Maurício Machado de Minas terão os nomes submetidos para deliberação de acionistas na próxima assembleia ordinária do banco, marcada para 12 de março.

Pelo estatuto do banco, o conselho pode ter três conselheiros acumulando função executiva, o que significa que alguns dos vice-presidentes não precisarão deixar o posto.

Abreu, assim como Trabuco, havia sido denunciado na Operação Zelotes, em processo que investigava pagamento de propinas a lobistas para resolver pendências com a Receita. Ele era apontado como um dos fortes candidatos a substituir Trabuco até o episódio. A Justiça decidiu trancar a ação penal.

Segundo o atual presidente do Bradesco, a operação não pesou na escolha de Lazari para o cargo.

"Não teve nada das operações. É um processo em julgamento e reafirmamos que a organização reafirma o que tem reafirmado nas notas com relação a interpretação desses fatos", afirmou Trabuco.

"Dentre os vice-presidentes sairia o presidente, era o local ideal para fazer esse processo. Todos têm boas condições, mas foi feito um trabalho de escolha, ressaltou. Em janeiro, o Octavio foi adquirindo o consenso do conselho, dos atuais conselheiros, para que tivéssemos a escolha do Octavio. Aí pesou a experiência horizontalizada e as condições de manter o grupo alinhado na mesma direção."

Trabuco afirmou que Lazari dará continuidade à tradição de construção e à cultura do banco, sem disrupção. É um banco de carreira, de especialização, não é trivial. Temos de renovar num processo sem ruptura. Poucas empresas do mundo talvez fossem capazes de pegar quatro vice-presidentes e com muita harmonia transformá-los em conselheiros. Precisamos preservar esse espírito afirmou.

Já Lazari afirmou que o Bradesco continuará sendo um banco com o olhar voltado para o futuro, mas com os pés fincados no presente.

Na assembleia, também será proposta a uniformização de idade para todos os executivos do banco. O limite será de 65 anos para ocupar um cargo de direção.

Veja também

Abraham Weintraub é reeleito diretor executivo no Banco Mundial por mais dois anos
Brasil

Abraham Weintraub é reeleito diretor executivo no Banco Mundial por mais dois anos

Receita Federal estima que metade dos fundos imobiliários sonegam impostos
receita federal

Receita Federal estima que metade dos fundos imobiliários sonegam impostos