Número de eletropostos cresce no Brasil, mas distribuição é irregular e a maior parte ainda é lenta
Em agosto, país chegou a 16,8 mil pontos de recarga para veículos elétricos; quase metade está no Sudeste
Em meio ao crescimento das vendas de carros elétricos, o Brasil encerrou agosto com 16.880 pontos públicos e semipúblicos (em shoppings ou supermercados) de carregamento, segundo a última atualização feita pela Tupi Mobilidade, em parceria com a Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE).
A questão é que os carregadores rápidos, em que os motoristas levam de 20 minutos a uma hora para carregar os veículos, ainda são minoria no país. Outro ponto que chama a atenção é a distribuição irregular pelo Brasil, já que a região Sudeste concentra quase metade deles.
O levantamento mostrou que a rede total de carregadores no país cresceu 14% entre fevereiro e agosto, o que equivale a 2.053 novos pontos de recarga (eram 14.827 pontos em fevereiro).
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Quando se olha apenas o crescimento dos carregadores rápidos, houve um salto de 59% no mesmo período, mas eles representam apenas 23% do total (3.855). Já os carregadores lentos, onde o motorista leva de 5 horas a 12 horas para carregar a bateria, equivalem a 77% do total (13.025).
"A queda de custos dos equipamentos e a crescente demanda dos usuários por recargas de longa distância estão levando os operadores a priorizar investimentos em carregadores rápidos”, disse em nota Davi Bertoncello, diretor de Comunicação da ABVE e fundador da Tupi Mobilidade.
China tem 16,7milhões de pontos
Na China, que está na vanguarda da eletrificação com 37 milhões de veículos plug in já em circulação, o número de carregadores até julho de passado era de 16,7 milhões, sendo 56% rápidos. É uma proporção de um carregador para cada 2,2 veículos. No Brasil, a frota de veículos elétricos plug-in no Brasil totalizou 302.225 unidades em agosto, o que dá uma relação de 18 veículos por eletroposto.
Do total da frota brasileira, 44,5% (134.592 veículos) são 100% elétricos (BEV) e dependem totalmente dos carregadores. Outros 55,5% (167.633) são híbridos plug-in (PHEV) e têm dependência parcial da infraestrutura de recarga, pois também operam com motor a combustão.
Segundo especialistas, um dos obstáculos para a compra de carros elétricos puros pelos brasileiros é o medo da chamada 'pane seca', ou seja, ficar sem energia durante uma viagem por conta da falta de infraestrutra de carregamento — especialmente num país de tamanho continental como o Brasil.
Distribuição irregular
Atualmente, 1.499 municípios brasileiros contam com eletropostos públicos e semi-públicos, considerados os lentos e os rápidos. Na comparação com fevereiro eram 1.363, o que significa um crescimento de 10% na disponibilidade de infraestrutura. Mas dos mais de 16 mil pontos existentes no país, a região Sudeste tem metade desse número, com 7,9 mil pontos.
Já na região Nordeste, são 3,3 mil, enquanto na região Norte são apenas 437, o que revela as desigualdades dessa infraestrutura. A cidade de São Paulo tem 2,1 mil eletropostos, o Rio de Janeiro bateu em 963, enquanto capitais como Fortaleza e Salvador tem respectivamente 294 e 257.

