Economia

Nunca tivemos tanta abertura com governo, diz líder dos caminhoneiros

No fim de março, sob ameaça de nova greve dos caminhoneiros, o governo pediu à estatal mudanças em sua política de preços para o diesel

Caminhoneiros ameaçam uma nova paralisaçãoCaminhoneiros ameaçam uma nova paralisação - Foto: Thomaz Silva/Agência Brasil

O caminhoneiro Wallace Landin, o Chorão, está grato. Desde a noite de quinta-feira (11), ele tem escrito em grupos de WhatsApp com membros do governo palavras em agradecimento ao ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e general Floriano Peixoto (Secretaria-Geral da Presidência).

"Foram os dois que levaram as nossas demandas para o presidente [Bolsonaro]", diz. Landim ganhou destaque como um dos líderes dos motoristas que paralisaram as estradas do país em maio de 2018.

"A gente nunca teve isso. Hoje, graças a Deus, nós temos um diálogo, direto com a Casa Civil", diz. Landim, que ainda não teve suas mensagens respondidas. "Deve estar uma loucura lá para o pessoal".

Além dos grupos com funcionários dos ministérios, Landim esteve com o ministro Tarcísio de Freitas na quinta-feira (5) e expôs a preocupação dos caminhoneiros com a possibilidade de haver um reajuste muito alto depois de 15 dias.

No fim de março, sob ameaça de nova greve dos caminhoneiros, o governo pediu à estatal mudanças em sua política de preços para o diesel, que passou a respeitar prazos mínimos de 15 dias sem reajustes.

Landim disse que o ministro o acalmou. "'Fica tranquilo, o presidente está sabendo das demandas da categoria", disse Freitas, segundo Landim. O anúncio do aumento de 5,7% no diesel causou surpresa. À noite, após intervenção do governo, a estatal voltou atrás.

"A categoria vem sofrendo muitas dificuldades, os atravessadores não estão pagando o piso mínimo de frete. Se viesse um aumento no óleo diesel como esse, o pessoal ia ficar louco", afirmou sobre a possibilidade de novas manifestações caso o preço do combustível aumentasse.

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A CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos) disse o mesmo. Em nota, o órgão afirmou que a intervenção do governo "apazigua a insatisfação do caminhoneiro autônomo em relação aos altos custos da operação, uma vez que a categoria enfrenta dificuldades em repassá-los através da lei do piso mínimo do frete".

O caminhoneiro Plínio Dias, presidente do Sinditac-PR (Sindicato dos Transportadores Autônomos do Paraná), afirmou que a revogação na alta dos preços foi "um grande passo, [mostra que] o governo entende que nossa categoria está ainda em um caos". Porém, ele diz que ainda faltam muitas leis a serem compridas. Dias liderou uma carreata no final de março em Curitiba.

Landim diz que luta para que haja uma mudança na política de preços da Petrobras e redução do lucro da estatal sobre o preço do diesel. Para o caminhoneiro, o governo deveria dar algum tipo de desconto ou subsídio para os caminhoneiros autônomos, especificamente.

"O cartão-caminhoneiro não resolve o nosso problema. Vai beneficiar as grandes transportadoras que conseguem antecipar a compra de diesel. O autônomo vende a janta para comprar o almoço", afirma. No formato pré-pago, o cartão foi anunciado por Bolsonaro como uma das medidas para aumentar a previsibilidade de gastos com o frete.

O subsídio negociado durante o governo Temer, e que durou até janeiro, também não é o melhor caminho, segundo Landim. "Isso beneficia todo mundo porque diminui o preço do diesel em geral. As transportadoras saem ganhando porque conseguem fazer acordos diretos com a Petrobras. O mais fraco é o caminhoneiro autônomo, que morre com o preço final na bomba [do posto]".

Para o presidente da CNTA, a periodicidade mais viável de reajuste seria a cada 30 dias, seguindo o acordo feito com o governo Temer durante a paralisação e cumprida até o final de 2018.

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