OCDE estima em 2% crescimento da economia brasileira este ano

No último relatório, divulgado em fevereiro, a entidade previa que o PIB cresceria 2,2% este ano. Estudo da OCDE elogia o programa Bolsa Família e recomenda para que se invista mais na transferência de renda aos mais pobres

Estudo faz recomendações para que os investimentos na área social sejam mantidos como meio de reduzir as desigualdades no PaísEstudo faz recomendações para que os investimentos na área social sejam mantidos como meio de reduzir as desigualdades no País - Foto: Mohammed Huwais/AFP

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima em 2% a previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro neste ano, segundo estudo Perspectivas Econômicas da OCDE, divulgado nesta quarta-feira (30). No último relatório, divulgado em fevereiro, a entidade previa que o PIB cresceria 2,2% este ano. Para o próximo ano, o estudo prevê um crescimento de 2,8%. A entidade reúne 37 países.

Para a OCDE, a economia registrou recuperação, mas condiciona os avanços à aprovação de reformas estruturais, especialmente a da Previdência. O relatório observa ainda que houve investimentos sólidos com reflexos na economia. Há elogios ao programa Bolsa Família e há recomendações para que se invista mais na transferência de renda aos mais pobres.

O estudo faz recomendações para que os investimentos na área social sejam mantidos como meio de reduzir as desigualdades no país. Segundo o relatório, uma parcela dos 15% do PIB gastos em os benefícios “são pagos às famílias que não são pobres”.

De acordo com o relatório, no Brasil há distorções que favorecem os que têm renda mais alta e ao mesmo tempo ainda há uma concentração da pobreza entre crianças e jovens. O Bolsa Família é classificado como um “bem sucedido programa de transferência de renda”, que representa apenas 0,5% do PIB.

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RECUPERAÇÃO
O estudo detalha que a economia se recuperou a partir da aprovação de medidas de estímulo, assim como as taxas de juros mais baixas, e sugere a manutenção de ações para conter os subsídios ao crédito. A OCDE cita ainda a reforma trabalhista como um dos fatores que contribuiu para a recuperação da economia.

A taxa de desempregou caiu – ficando abaixo dos 13% - mas muito dessa recuperação ocorreu em postos informais, em vez de empregos com carteira assinada.

No relatório, destacam-se a recuperação e a previsão de crescimento estimada para 2,8% em 2019. O estudo cita ainda a queda da inflação que facilitou as condições financeiras.

INCERTEZAS
A menos de cinco meses das eleições, o estudo diz que há uma “incerteza” no cenário político. Mais uma vez, o documento reitera a necessidade de “continuação da agenda de reformas”, particularmente, da Previdência. “Será um teste decisivo para a capacidade das autoridades assegurar a sustentabilidade fiscal e implementar novas reformas estruturais.”

O estudo recomenda ainda que as despesas fiscais e os subsídios de crédito para empresas do setor privado sejam revistos. No texto, é mencionado que esses instrumentos criaram um terreno “fértil para corrupção e retrocesso político”.

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