Odebrecht vende seu braço ambiental

Acordo foi fechado com a Brookfield, orçado no valor de US$ 768 milhões. Negócio deve ser concluído em 2017

Kaio Maniçoba, deputado federal licenciado e secretário estadual de HabitaçãoKaio Maniçoba, deputado federal licenciado e secretário estadual de Habitação - Foto: Márcio Didier/Blog da Folha

Após meses de negociação, o Grupo Odebrecht fechou o acordo de venda da Odebrecht Ambiental para a gestora de fundos Brookfield. A transação está orçada em US$ 768 milhões, o que soma R$ 2,4 bilhões, de acordo com a cotação do dólar de quinta-feira (27). 

O montante se equipara ao faturamento anual da empresa de saneamento e promete aliviar o caixa da empreiteira, que enfrenta dificuldades financeiras desde que se tornou um dos principais alvos da Operação Lava Jato.
O alívio financeiro, porém, só deve se concretizar no primeiro trimestre de 2017. Isto porque o acordo assinado na noite de ontem entre a Odebrecht e a Brookfield ainda requer uma série de aprovações. A transação, que prevê a venda de 70% do controle acionário da empresa de saneamento - os outros 30% devem continuar com o fundo de investimento em infraestrutura do FGTS -, precisa ser aprovada, por exemplo, pelo conselho de acionistas da Odebrecht e por órgãos regulatórios como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O acordo ainda prevê que R$ 350 milhões só serão pagos caso a companhia alcance metas, ainda não divulgadas, nos próximos três anos.

Em contrapartida, a Odebrecht Ambiental vai receber cerca de R$ 400 milhões de crédito adicional para reforçar seu caixa e financiar a expansão de suas atividades, inclusive no Recife, que sedia um dos maiores contratos da Odebrecht Ambiental.

Desde 2013, a empresa mantém uma Parceria Público-Privada válida por 30 anos com a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). É o chamado Programa Cidade Saneada, que pretende universalizar o esgotamento sanitário na Região Metropolitana do Recife e no município de Goiana, mas já está com o cronograma de obras atrasado segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Procurada pela reportagem, a Brookfield informou que só vai se pronunciar sobre as obras pernambucanas após a conclusão da venda. Em nota divulgada internacionalmente, porém, a gestora de fundos ressaltou que, através da compra, pretende tanto incrementar seu fluxo de caixa como melhorar os serviços sanitários brasileiros. A Compesa também não comentou o assunto, mas especialistas em direito previdenciário garantem que a PPP não pode ser rompida impunemente pela nova detentora da Odebrecht Ambiental. A empresa de saneamento não atendeu a reportagem.

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