Pesquisa

Os desafios de um mundo digital

As novas tendências de consumo a partir das mudanças impostas pela pandemia da Covid-19 foram pesquisadas pela Alfa Inteligência, que mostra transformações em curso

Consumo das famíliasConsumo das famílias - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Uma pesquisa qualitativa feita pela Alfa Inteligência abordou a mudança no hábito do consumo dos brasileiros e a percepção dos mesmos quanto ao impacto causado pela pandemia da Covid-19 na economia brasileira. Entre os principais destaques do levantamento, que fez um estudo de opinião pública, estão a percepção das pessoas quanto a uma nova forma de trabalhar, o consumo de ferramentas cada vez mais digitais por classes sociais elevadas, o aumento de oportunidades para superar os desafios, além da percepção de que os pequenos empreendedores foram os mais prejudicados.

O levantamento contou com 45 grupos de discussão em todo o Brasil, sendo realizado de forma on-line, utilizando salas virtuais no aplicativo Whereby. A pesquisa durou 120 minutos por pessoa, em média, e os participantes receberam um link com data e hora pré-definidos pela equipe de agendamento para participar da pesquisa.

Segundo o diretor técnico de pesquisa da Alfa Inteligência, Luciano Pereira, o principal ponto observado no estudo é que as pessoas estão observando mais os cenários de oportunidades.

“De uma maneira geral, os brasileiros estão entendendo que existem oportunidades. Sempre houve pessoas que precisavam do apoio do governo e dos que perderam o emprego e foram para a luta. Ou o cidadão voltou a ser um funcionário ou ele foi viver das assistências. Esse movimento de exercer uma profissão anterior ou quem empreendeu movimentou o varejo de certa forma”, disse.

Empreendedorismo como saída
No estudo, a Alfa observou que as pessoas consideraram que o pequeno empreendedor passou por mudanças quanto aos seus consumidores.

“As pessoas ficam com a imagem de que o pequeno se deu mal e o grande se deu bem. Porém, quando analisamos dados da Associação Paulista de Supermercados (Apas), existe um comportamento de consumo migrando do grande varejo para a loja de vizinhança. No entanto, a percepção é de que somente o grande cresceu. Essa visão surgiu porque as lojas grandes funcionaram durante períodos de maiores restrições da pandemia, como até mesmo concessionárias automotivas, dando essa percepção de poder para os lojistas maiores, enquanto os pequenos eram impedidos de atuar”, declarou Luciano.

Mudança no consumo
Segundo o diretor da Alfa, o processo de compras on-line ganhou mais força por conta da pandemia, aliado à procura por compras em pequenos estabelecimentos.

“O consumo mudou principalmente no hábito on-line, com o crescimento da banda larga, da compra de um computador melhor. Teve gente que se deu bem e quem se deu mal. Em relação ao consumo, o fermento, por exemplo, aumentou porque começaram a fazer comida em casa, como o pão. Tinha gente que fazia feira por mês, mas passou a fazer feira por semana, no supermercado do bairro. Esse consumo em casa teve consequência nos hábitos das pessoas. As oportunidades de fazer algo em casa foram surgindo cada vez mais”, contou Pereira.

De acordo Luciano, a expectativa que se tinha era de que a pandemia iria gerar uma demanda reprimida direcionada para as compras. Porém, ele destaca que a população já sente os efeitos da instabilidade da economia. “As pessoas observaram que não tinham dinheiro. O que aconteceu é que no meio da pandemia havia uma atmosfera de que seria gerada uma demanda reprimida. Mas, nesse período, com a inflação, com os preços elevados de combustíveis e carnes, por exemplo, essa recuperação foi se arrefecendo”, destacou.

Crédito mais acessível
A pesquisa também aponta que o acesso ao crédito poderia ser um fator determinante para a mudança dos negócios, porém a burocracia dificulta uma transformação na realidade das pessoas. “As linhas de microcrédito são de difícil acesso. Além de não ter dinheiro, o pequeno empreendedor, o que montou uma loja e começou a se dar mal na pandemia, precisa de capital e para isso ele não tem garantia, às vezes está na informalidade e isso dificulta mais”, contou o gestor.

Mudanças no turismo
Um dos segmentos da economia que vão passar por mudanças no seu consumo é o de turismo. De acordo com o levantamento, a tendência é de que as pessoas busquem destinos mais próximos de onde moram para o lazer.

“As pessoas não querem mais pegar voos longos. Vão se deslocar para um local mais próximo, podendo ir com o próprio veículo. Essa transformação já tem um reflexo deste momento atual, por conta da pandemia. O brasileiro passou a gostar deste tipo de turismo porque ficou diferente do convencional, descobriu que existe um local bom, como o que encontraria em lugares distantes. A Covid-19 pode ter mudado esse aspecto”, declarou Pereira.

País rico
Por fim, um dos pontos de destaque no levantamento é que as pessoas acreditam que o Brasil possui muitas reservas financeiras. Porém, segundo a pesquisa, o levantamento aponta que isso se dá por conta do alto índice de corrupção, o que faz a população acreditar que o País conta com muitos recursos.

“A percepção de que o governo é o indutor de dinheiro, de que é ele quem faz a economia andar é pulverizada. A imagem de carga tributária pesada, país rico, um gigante adormecido, é diferente do que temos, que é um déficit fiscal grande no governo, a pior situação econômica possível, mas entre a população não é fácil perceber isso. O achismo de que se acabar a corrupção o negócio volta vem de uma noção e da imagem de que o político só faz desviar, mostra que o poder público tem dinheiro, mas que a realidade não é nada parecida com o que as pessoas pensam”, finalizou Luciano Pereira, da Alfa.

Alfa realizou estudos em mais de 500 cidades
A Alfa Inteligência, fundada em 2008, é responsável por estudos em mais de 500 cidades de 17 estados brasileiros. Segundo dados da empresa, sua estrutura multidisciplinar permite executar “os mais diversos trabalhos em pesquisa de mercado e opinião em todo o território nacional”. O objetivo da empresa é ofertar informações para ajudar os seus clientes na tomada de decisões.

Melhores práticas
A empresa garante “reunir as melhores práticas por meio de: agilidade com resultado em tempo real; confiabilidade com proteção contra a fraude com auditoria hipersensível; projeções através de técnicas avançadas de machine learning, predictive algorithms, artificial intelligence e hipersensibilidade com aná́lise, açã̃o, percepção em ciclo contí́nuo”.

A Alfa utiliza tecnologia própria para a realização de estudos de opinião 100% digitais, segundo informações divulgadas no site da empresa. As entrevistas são feitas por meio de tecnologia multicanal.

De acordo com dados da empresa, através dos estudos quantitativos e qualitativos, os clientes conseguiram potencializar seus negócios e imagens perante o mercado.
 

Novas tendências de consumo Novas tendências de consumo | Arte: FolhaPE/Hugo Carvalho

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