ECONOMIA

Pandemia já não é principal causa da crise; inflação é o que trava economia, diz banco

O Idat é uma espécie de 'termômetro' da economia, que oferece uma interpretação mais rápida do que outros indicadores oficiais

Organização do orçamentoOrganização do orçamento - Foto: Felipe Ribeiro/Arquivo Folha

A alta da inflação está travando o crescimento da atividade econômica do país mostra o Indicador Diário de Atividade (Idat) criado pela equipe de economistas do Itaú.

O índice perdeu dinamismo desde setembro passado e vem 'andando de lado', explicou o economista-chefe do Itaú, Mário Mesquita, que projeta inflação de 10,1% este ano.

Desta vez, o efeito negativo na economia não está sendo provocado pela pandemia.

"A atividade econômica já está sendo impactada pela inflação, que afeta a confiança do consumidor e corroi o salário. A perda de dinamismo do Idat não tem a ver com a pandemia de Covid-19 desta vez", explicou Mesquita.

O Idat é uma espécie de 'termômetro' da economia, que oferece uma interpretação mais rápida do que outros indicadores oficiais, que levam mais tempo para serem elaborados.

Ele cruza dados de consumo de energia pelas empresas e transações de gastos com cartão de crédito nos setores de bens e serviços.
 

O índice foi criado em março do ano passado, início da pandemia, e tem base 100. O indicador chegou a superar os 100 pontos este ano, inclusive em 6 de setembro, quando a média móvel de sete dias atingiu o maior patamar do ano, acima de 122 pontos. Desde então, o Idat perdeu força e no início de dezembro recuou aos 99,7 pontos.

A economista Julia Gottlieb, da equipe do Itaú, observa que a alta dos juros também impacta os setores mais sensíveis ao crédito e deve provocar a desaceleração da economia em 2022.

Na estimativa do Itaú, o Produto Interno Bruto (PIB) do país vai crescer 4,7% este ano, mas em 2002 a expectativa é de uma retração de 0,5%. A elevação dos juros, entretanto, deve derrubar a inflação no ano que vem para 5%, preveem os economistas do Itaú.

O Itaú divulgou nesta terça-feira sua análise de comportamento de consumo, que mostrou que os brasileiros está retomando hábitos interrompidos pela pandemia, como viajar, casar e frequentar bares e restaurantes.

Os dados mostraram que no terceiro trimestre o faturamento das agências de matrimônio e buffets cresceu 80% em relação ao mesmo período de 2020. No caso de bares e 'baladas', o crescimento do faturamento foi de 94% no período, considerando a mesma comparação.

O setor de turismo, segundo a pesquisa do Itaú, registrou crescimento de 133,7% do faturamento no período, com as companhias aéreas tendo crescimento de 149,9% no faturamento e os hotéis de 109,7%.

O avanço da vacinação continua favorecendo o consumo de forma geral e o varejo registrou um aumento de 27,5% no valor transacionado no terceiro trimestre deste ano, na comparação anual, e de 11,9% na comparação com o segundo trimestre deste ano.

"As compras presenciais refletem essa volta, representando 78,9% do faturamento no terceiro trimestre de 2021. A participação das compras online ficou em 21,1%", explicou Paula Cardoso, presidente da Rede, empresa de meios de pagamento do Itaú.

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