Para especialistas Brasil fechará Selic a 6,35%

Esse pode ser o 13º corte consecutivo da Selic, que em outubro de 2016 estava em 14,25%, em um contexto de recessão econômica e inflação elevada

Juros Juros  - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Banco Central (BC) deve reduzir nesta quarta-feira (16) a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto, a um novo mínimo histórico de 6,25%, para tentar incentivar a economia que não consegue decolar - segundo a maioria dos analistas.

Esse pode ser o 13º corte consecutivo da Selic, que em outubro de 2016 estava em 14,25%, em um contexto de recessão econômica e inflação elevada.

Mas este deve ser o último corte, em um contexto de incerteza acerca do potencial inflacionário. Entre os riscos, estão o aumento dos juros nos Estados Unidos, a desvalorização do real e o aumento do preço do petróleo. O dólar era negociado, nesta terça, a 3,66 reais, seu nível mais alto em dois anos. Desde janeiro, a moeda nacional se desvalorizou 10% frente à americana.

Soma-se a esses fatores a falta de um candidato à Presidência com forte compromisso com os ajustes reclamados pelo mercado, a cinco meses das eleições.

Mas a necessidade de um novo corte foi reforçada pela inflação de abril, de 0,22%, bem abaixo do esperado. No acumulado de 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) somou 2,76% - abaixo do piso da meta atual do BC, cujo centro é de 4,5%. Um novo corte da Selic, embora "simbólico", pode "dar um alento à situação macroeconômica", opinou Jason Vieira, da consultoria Infinity Asset.

O PIB brasileiro cresceu 1% em 2017, após dois anos de recessão. O governo prevê uma expansão de 3% neste ano, mas as expectativas do mercado caíram desde o início de março, de 2,90% a 2,51%, segundo a pesquisa Focus realizada semanalmente pelo BC. O desemprego voltou a aumentar nos últimos três meses, chegando a 13,1% no fim de março.

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC tinha indicado em março que, após um eventual corte da Selic em maio, exceto se houver mudanças adicionais relevantes, a interrupção do processo de flexibilização monetária é adequada.

Um corte nesta quarta-feira daria ao BC "maior capacidade de reação em caso de movimentos internacionais [negativos]", mas também seria "prudente" reafirmar que este corte será o último, disse Jason Vieira. Segundo o analista, o BC deve evitar comprometer a política do governo que assumirá em janeiro de 2019, dado que suas medidas sempre são sentidas com alguns meses de defasagem.

Alguns especialistas citam a possibilidade de o BC ser até mesmo forçado a voltar a subir as taxas neste ano. Mas Wellington Ramos, da Austin Rating, acha que isso não acontecerá até o primeiro trimestre do ano que vem. "Mesmo com o maior peso das importações", devido à desvalorização do real e ao encarecimento do petróleo, "o cenário (econômico) interno anda ainda muito enfraquecido", opinou.

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