CONSUMO

Pela primeira vez, é mais barato comprar na Zara do Brasil que na dos EUA, mostra pesquisa

Brasileiros gastam 2% menos para renovar guarda-roupa na rede que os americanos, aponta índice do BTG que mede poder de compra. Explicação está no câmbio

Zara do Iguatemi FortalezaZara do Iguatemi Fortaleza - Foto: Reprodução Facebook

Pela primeira vez, é mais barato comprar roupas da Zara no Brasil que nos Estados Unidos. É o que aponta o Zara Index 2022, um índice desenvolvido pelo BTG Pactual para medir poder de compra que faz parte de uma pesquisa divulgada anualmente pelo banco.

No resultado deste ano, divulgado na última terça-feira (18), brasileiros pagam 2% a menos pelas peças da rede de lojas que os americanos, comparando os valores em dólar. E a explicação está no câmbio.

Assim como em 2020, houve desvalorização do real ante o dólar em 2021. A depreciação no ano passado foi de 6,8%. Foi menor que a desvalorização de 2020, que chegou a 24%, mas ainda assim foi significativa.

Com a continuidade do quadro de desvalorização do real no ano passado, refletindo preocupações políticas e econômicas do mercado financeiro, houve um barateamento de produtos como os de vestuário no Brasil em dólar, invertendo uma tendência de anos anteriores mesmo em meio à alta da inflação.

O BTG concluiu que, em 2021, comprar roupas da Zara saiu mais caro que nos Estados Unidos em apenas sete países ou regiões: Coreia do Sul, Australia, Taiwan, Singapura, Vietnã, Tailândia e Israel.

A Espanha, país-sede da empresa, é um dos países mais baratos para se mudar o guarda-roupa.

Um dos objetos de consumo de classes médias em todo o mundo, as peças da rede de lojas espanhola que atua em vários países se tornaram uma forma de os economistas do BTG compararem o poder de compra de itens de vestuário entre vários países. De forma similar, a revista The Economist tem o índice Big Mac.

O Zara index aponta ainda quatro elementos que evidência no mercado de vestuário e calçados no Brasil em 2021.

Entre elas, estão a consolidação do setor a partir de fusões e aquisições, fechamento de pequenos negócios em decorrência da pandemia, inflação alta, crise das cadeias globais, maior consumo em e-commerce e procura pelo movimento slow fashion.

Por outro lado, o levantamento avalia a dificuldade de inserção de marcas de vestuário internacionais no mercado brasileiro, fenômeno consolidado nos últimos anos.

Apesar do cenário adverso, duas gigantes asiáticas estão conquistando espaço no país: Shopee e Shein.

No mercado doméstico, gigantes do varejo, como Arezzo, Grupo Soma — dono de marcas como Farm e Maria Filó —, e Track&Field, avançam em estratégias digitais e multicanais.

Para 2022, a expectativa descrita no relatório da BTG Pactual é positiva, com crescimento de vendas e de faturamento nas principais empresas do segmento.

A previsão do Zara Index 2022 traz aumento de 9,6% a 33,5% em vendas nas varejistas analisadas.

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