Pela primeira vez no Brasil, Fórum Mundial de Economia Circular discute soluções sustentáveis
Criado na Finlândia em 2017, evento tem como tema 'Soluções tropicais para um mundo sustentável' e acontece no Parque Ibirapuera entre 13 e 16 de maio
Pela primeira vez na América Latina, o Fórum Mundial de Economia Circular (WCEF, na sigla em inglês) será realizado em São Paulo, entre 13 e 16 de maio, no Parque Ibirapuera. A nona edição do evento reunirá especialistas, autoridades, empresários e representantes da sociedade civil para discutir soluções sustentáveis, em um momento de tensões geopolíticas e retrocessos ambientais nos Estados Unidos.
Com o tema “Soluções tropicais para um mundo sustentável”, o encontro busca destacar a importância das regiões tropicais — como o Brasil — na construção de uma economia de baixo carbono. Apesar do contexto desafiador, com o novo governo Donald Trump nos Estados Unidos adotando uma agenda menos alinhada às políticas climáticas, os organizadores reforçam que o ímpeto por mudanças segue forte em diversas partes do mundo.
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Kari Herlevi, diretor do Programa de Economia Circular do Fundo de Inovação Finlandês Sitra, afirmou que a redução na colaboração do governo americano tem impacto direto nos avanços internacionais na economia circular.
— E isso não é um bom sinal. Mas, por outro lado, há novas oportunidades para discutir, se reunir e refletir sobre como diferentes parcerias podem fazer a diferença. Há a possibilidade de essas tensões comerciais, neste momento, fortalecerem a resiliência econômica local. Mas, se pensarmos bem, países, individualmente, costumam ser pequenos demais para desenvolver uma economia circular completa. Ainda precisamos de insumos de diferentes economias. E não faz sentido construir infraestruturas baseadas apenas nas necessidades de um país neste momento. O mesmo vale para o processamento de diferentes materiais.
Ele diz ainda que o foco neste momento precisa estar mais em implementar soluções. Também há uma perspectiva de reorganização econômica:
— Estamos vendo mudanças no comércio global que afetam a competitividade. Em momentos assim, os aspectos econômicos ganham ainda mais relevância, e a economia circular pode impulsionar a economia.
Novos modelos de negócios
Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), lembrou que a maioria dos países desenvolvidos está interessada em discutir novos modelos de negócios. No Brasil, o desafio passa por questões estruturais:
— Aqui no Brasil estamos lidando com questões estruturais, como (é o caso de) implementar uma grande rede de saneamento e acabar com os lixões.
O WCEF contará com 4 plenárias, 12 sessões paralelas e 2 sessões extras. As plenárias abordarão questões temáticas transversais enquanto as sessões paralelas aprofundaram temas de cada segmento, apresentando exemplos.
A programação do WCEF inclui quatro plenárias temáticas, 12 sessões paralelas e duas sessões extras, além de 102 encontros chamados de “sessões de aceleração” nos dias 15 e 16 de maio. O evento é realizado pelo fundo finlandês Sitra, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Senai-SP, Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Senai Nacional.
Entre os nomes confirmados, estão Ambroise Fayolle, vice-presidente do Banco Europeu de Investimento (EIB), e Gabriel Azevedo, diretor-geral de ESG do BID Invest, braço de investimentos do Banco Mundial.
Os catadores serão representados pelo secretário-geral da Aliança Internacional de Catadores de Materiais Recicláveis (IAWP), Kabir Arora, e pelo diretor da Ancat e líder comunitário e ambiental de Orlândia (SP), Anderson da Silva Nassif. O embaixador André Aranha Corrêa do Lago, atual presidente da COP30, também integra o time de palestrantes.
O WCEF convidou pesquisadores e empresários que já implementaram práticas de economia circular para dividirem exemplos com a audiência.

