Pequenos negócios sofrem com faturamento

Eles são responsáveis por 99% das empresas do país e foram encarregados por empregar, no último ano, mais de 700 mil trabalhadores

Presidente do Sebrae, Carlos MellesPresidente do Sebrae, Carlos Melles - Foto: Divulgação

Com a crise de saúde global da Covid-19, a economia já sofre bastante com os impactos causados em razão do isolamento social. Este é essencial para evitar um colapso na rede de saúde. Comércios, shoppings, restaurantes, salões de beleza, hotéis estão fechados. Quem mais sofre com isso são os pequenos negócios. Eles são responsáveis por 99% das empresas do país e foram encarregados por empregar, no último ano, mais de 700 mil trabalhadores. No entanto, segundo pesquisa do Sebrae, 89% dos pequenos negócios já sofrem com a falta de faturamento.

Em pernambuco, na pesquisa do Sebrae, 40% dos empreendedores entrevistados afirmam que precisarão fechar seus negócios em até 1 mês, caso as restrições permaneçam. No entanto há quem ainda consiga sobreviver um pouco mais. É como acontece com o casal de empreendedores, Gleice Alves e Marinaldo Oliveira. Eles são proprietários de uma empresa operadora de mergulho em Porto de Galinhas, em Ipojuca. Por conta da crise do novo Coronavírus, eles dizem que o faturamento da empresa caiu 100%. Por conta dos hotéis fechados e praias com restrições, os turistas precisaram retornar para suas respectivas cidades, o que inviabiliza o negócio.

“A gente vive em uma cadeia que depende do turismo. Com aeroportos sem voos, os restaurante fechados em Ipojuca, os operadores de mergulho também precisam parar”, detalha Gleice. Ainda de acordo com ela, o que está segurando é uma antiga reserva financeira. “Estamos usando nossas reservas econômicas pessoal como capital de giro. Mas com o custo que temos, não dura nem três meses”, complementa. A empresa que tinha três lojas em operação, vai precisar fechar duas unidades. Alguns funcionários também precisaram ser dispensados para reduzir os custos. Com as restrições, apenas 8% das empresas esperam manter o negócio aberto por cerca de 3 a 4 meses, segundo Sebrae.

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Por outro lado, há quem ainda consiga encontrar uma alternativa em meio ao caminho obscuro da falta de faturamento. A gestora do salão US Club Beauty Bar, em Boa Viagem, Amanda Leal, explica que o faturamento da empresa está sendo bastante afetado, mas em meio a isto, encontrou um caminho para minimizar os impactos. “Usamos o Instagram como ferramenta de vendas durante esse isolamento. A gente se adapta e vende produtos Home Care e ainda damos uma bonificação com Spa para quem comprar. É uma alternativa”, revela. Segundo o estudo feito pelo Sebrae, em meio a crise de saúde, 26% dos empreendedores pretendem aumentar as vendas on-line durante o período, assim como Amanda fez no salão de beleza.

A gestora do salão ainda conta que na Páscoa, que já está chegando, deve vender esses produtos Home Care como shampoos, condicionadores, produtos de tratamento capilar, como forma alternativa de presentear durante a época.

Para o presidente do Sebrae, Carlos Melles, a pesquisa realizada pela entidade confirma a importância e a urgência de medidas de socorro aos pequenos negócios. “As pequenas empresas representam 99% de todos os empreendimentos do país e geram mais da metade dos empregos formais. A situação provocada pela pandemia exige de todos os agentes públicos o compromisso pela busca de soluções concretas e rápidas para os problemas que essas empresas estão enfrentando no dia a dia da crise”, destaca Melles.

Outro ponto abordado na pesquisa foi sobre os itens de custo que mais pesam no seu negócio. Dos entrevistados, 48% respondem que o maior ônus é com pessoal e 44% com matérias-primas. Assim, 60,3% dos empreendedores já preveem que precisarão solicitar empréstimos para manter o negócio em funcionamento sem gerar demissões. No entanto, Gleice Alves que é a proprietária da empresa de mergulho em Porto de Galinhas pondera que essas medidas de créditos com juros não ajudam os pequenos negócios. “Se tivesse financiamento sem taxa de juros seria mais viável. Quando coloca juros, não é ajuda, só estamos pagando por um serviço que pegamos”, avalia

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