Pera, maçã e caqui made in Pernambuco

Típicas de regiões temperadas, as frutas estão sendo adaptadas e cultivadas no clima seco e quente do Sertão pernambucano

Micronutrientes podem ser encontrados em frutas Micronutrientes podem ser encontrados em frutas  - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Produtores da região do Semiárido pernambucano estão prontos para entrar em novos e promissores mercados. Culturas típicas de locais frios estão sendo adaptadas ao solo e ao clima quente e seco do Sertão. E já começam, literalmente, a render frutos por aqui. Até agora importadas, a pera, o caqui e a maçã este ano serão vendidas no Nordeste com o selo “made in” Pernambuco. Desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com apoio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e da Associação dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valexport), o projeto tem o intuito de trazer culturas de valor econômico e rentabilidade alta no Nordeste.

Desenvolvida por uma equipe de pesquisadores, a novidade começa a apresentar resultados após mais de cinco anos. “Iniciamos o trabalho após observar a problemática da superprodução da manga e a dificuldade de comercializar o excedente. Então, começamos a estudar o cultivo de frutas que pudessem ser vendidas no mercado nacional e que Pernambuco deixaria de importar de outros países e estados do Brasil. Assim, o custo para o consumidor final se tornaria menor”, explicou o pesquisador responsável da Embrapa, Paulo Roberto Lopes.

Próprias de regiões temperadas, a pera, o caqui e a maçã estão quebrando paradigmas no Semiárido. “Essas culturas são produzidas em ambientes para receber por ano de 350 a 1.000 horas de frio com uma temperatura igual ou inferior a 7,2°C. A região do São Francisco tem em média uma temperatura de 21°C e estamos conseguindo produzir bem, com resultado positivo”, disse Lopes.

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Para o presidente da Valexport, José Gualberto de Almeida, o projeto deve ter uma boa colheita. “É um trabalho de adaptação para áreas quentes e secas que está gerando boas expectativas. Essa novidade impulsiona os produtores do Vale do São Francisco”, destaca Almeida.

Com o objetivo de criar um polo produtor de pera para comercialização no mercado nacional, o cultivo está sendo feito com duas safras por ano. “Mais de 90% da pera comercializada no Brasil é importada de Portugal e da Argentina. Então, como o mercado do nosso País não tem grande produção da fruta, estão ocorrendo duas safras por ano”, disse o pesquisador Paulo Lopes, acrescentando que, no ano passado, o Brasil importou cerca de 170 mil toneladas. Atualmente, a produtividade da pera no Sertão pernambucano é de 60 toneladas por hectare, com duas variedades principais: Triunfo e Princesinha.

Já para o caqui, a intenção é realizar a produção no segundo semestre de cada ano, já que no primeiro semestre existe uma grande colheita da fruta no Brasil. “Como o País não produz no segundo semestre, importamos da Espanha com preço seis vezes maior que o do caqui brasileiro. Então, a ideia é o São Francisco produzir neste período e apresentar ao mercado com preço competitivo”, ressaltou Lopes. Segundo ele, já tem produtores de caqui comercializando o produto para o estado de São Paulo. Os destaques em relação à produção e qualidade das frutas são as variedades Rama Forte e Guiombo.

Da mesma forma, a maçã deve ter sua produção no segundo semestre, com maior foco de comercialização no Nordeste. “A maior importação da fruta é de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Mas o transporte e a logística para a maçã chegar a Pernambuco oneram muito o preço. Temos o objetivo de vender uma maçã de qualidade e preço final mais em conta na Região”, disse Lopes. As três variedades de cultivo da fruta são Julieta, Eva e Princesa, com produção de 40, 36 e 41 toneladas por hectare, respectivamente. Desses frutos, 90% estão dentro do padrão comercial.

De forma geral, o projeto se apresenta com o intuito de diminuir o preço das frutas e aumentar o consumo regional. “Queremos colocar a maçã, a pera e o caqui de Pernambuco com preço bom para o produtor e para o consumidor final”, finalizou o pesquisador da Embrapa.

Graviola na Mata Sul
O município de Gameleira, na Mata Sul de Pernambuco, também vem se destacando na fruticultura, onde a graviola é a novidade. Com a vantagem de que a fruta já está adaptada ao clima local. E os resultados obtidos estão animando os produtores da região. Através da melhor condução do cultivo, pela irrigação e manejo, a opção vem ganhando números positivos. Hoje, a Mata Sul produz em torno de 15 toneladas por mês de graviola em cerca de 500 hectares plantados.

De acordo com o gerente regional do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), em Palmares, Lauro Teles, essa fruta já tem destino certo para economia da região. “Em Gameleira, está tomando força a produção de graviola, a ser comercializada, sobretudo, para fábricas de polpas e sorvetes em Pernambuco”, disse Teles, explicando que a produção é facilmente absorvida pelo mercado. No ano passado, o valor médio do quilo da fruta custava R$ 5.

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