Pescadores afetados pelo óleo reivindicam recursos e medidas de Pernambuco

A audiência convocada pelas codeputas estaduais do Juntas (Psol), contou com a presença de pesquisadores e representantes de ONGs e movimentos sociais

A audiência reivindica ações concretas do governo de PernambucoA audiência reivindica ações concretas do governo de Pernambuco - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

O auditório Senador Sérgio Guerra, da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), no bairro da Boa Vista, área central do Recife, foi tomado por pescadores e representantes da pesca do Estado. Em audiência pública realizada na manhã desta terça-feira (3), o grupo reivindica, ao Governo do Estado, recursos financeiros e medidas eficazes para os pescadores que sofrem com os impactos do derramamento do óleo que atingiu o litoral no Nordeste.

A audiência, convocada pelas codeputas estaduais do Juntas (Psol), contou ainda com a presença de pesquisadores e representantes de ONGs e movimentos sociais. Segundo o agente do Conselho Pastoral dos Pescadores, Severino Santos, a audiência busca respostas mais eficazes e rápidas para a categoria. “Os pescadores não foram ouvidos nem pelo Governo Estadual e nem pelo Federal quanto ao derramamento de petróleo. Na audiência, temos pescadores de todo o Litoral, desde São José da Coroa Grande até Goiana, na RMR. Quase 12 mil famílias foram atingidas”, afirmou Severino.

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A pescadora Ivoneide Morais, de 50 anos, que mora no bairro da Imbiribeira, na Zona Sul do Recife, sobrevive da pesca de sururu na bacia do Pina, há 32 anos. Ela contou que não consegue vender mais nada e passa necessidades financeiras para se manter. “No momento, está tudo parado. Não temos condições de trabalhar porque não tem a quem vender. Esse derramamento de óleo prejudicou muita gente. Temos crianças em casa com fome”, relatou.

Ivoneide contou ainda que possui cadastro de pescadora, mas que também reivindica pelo documento dos que não possuem. “O governo prometeu liberar uma verba, mas só para quem possui a carteira. No Pina, são 1.500 pescadores, mas somente 100 possuem carteira. Eu tenho a minha, não recebi nenhum dinheiro ainda, mas estou em luta pelos que não têm”, afirmou a pescadora.

Segundo o pesquisador e professor de Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Cristiano Ramalho, os pescadores não cadastrados serão mais afetados a longo prazo. “A queda das vendas chegam a 100% em alguns locais, e isso tem levado a uma consequência grave que eu nunca vi ao longo de duas décadas de pesquisa com essa comunidade. São pessoas passando fome”, disse. “Na ausência de uma resposta do Governo Federal, o Governo Estadual e os municípios devem assistir essas pessoas que ofereceram, historicamente, renda, segurança alimentar e emprego”, finalizou.

De acordo com a codeputada das Juntas Joelma Carla, o impacto do óleo para a vida dos pescadores é enorme. “Eles estão perdendo as vendas e muitos então buscando formas alternativas e até vendendo frutas para se sustentarem. A fome dessas pessoas é urgente. Menos de dez mil estão cadastrados e poderão receber recursos federais, mas quase 20 mil não receberão”, disse.

“Convocamos essa audiência para que o governo do Estado se posicione. Vamos fazer um relatório, com todas as reivindicações e esse documento vai ser enviado para o Governo do Estado o mais rápido possível para que medidas sejam tomadas”, completou a codeputada.

Resultado da audiência

De acordo com a assessoria da Juntas (PSOL), A  audiência pública para pescadores afetados pelo óleo e integrantes do governo nesta terça-feira (3), realizada na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), não foi considerada satisfatória, pois ainda faltam algumas respostas às reivindicações. Segundo assessoria, cerca de 300 pescadores marcaram presença no local.

Após a entrega de pautas para os pescadores, os trabalhadores decidiram, com a Juntas e uma comissão de pescadores, estabelecer uma nova conversa para melhoria no dia 12 dezembro, às 10h, no Palácio do Campo das Princesas.

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