Pesquisa da Fundaj aponta maior desemprego no Nordeste durante pandemia

O contingente total de desempregados no Nordeste é de quase 4 milhões de pessoas e a análise sugere que o número está aumentando

DesempregoDesemprego - Foto: Allan Torres

Uma pesquisa da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), evidenciou um aumento do desemprego e saída de pessoas do mercado de trabalho no Nordeste durante a pandemia do novo coronavírus. A análise, com dados referentes à situação inicial dos impactos da pandemia (no mês de março), apontou fatores que podem nortear o desenho de políticas públicas de cunho econômico para a região. No material também foram verificadas questões como deflação de preços, alta nos preços de alimentos, queda na produção industrial, volume de vendas do varejo e faturamento do setor de serviços.

O Estudo, que usou como base os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou a crise da Covid-19 como propulsora da diminuição nas compras, o que gera uma deflação e, consequentemente, uma falta de interesse em investimentos. A inflação no setor de alimentos também foi um fator preocupante analisado.

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O diretor da Diretoria de Pesquisas Sociais (Dipes) e pesquisador do NEES da Fundaj, Luis Henrique Romani, salientou que acompanhar os dados é essencial. “É importante fazer o acompanhamento conjuntural das variáveis que medem o desempenho econômico e o bem-estar da população para poder dirigir as políticas públicas. Estamos à frente de um gigantesco desafio, o de manter a atividade econômica, ao mesmo tempo em que se reduz a mobilidade das pessoas”, afirmou.

De acordo com Romani, o conjunto de fatores econômicos afetou o Nordeste em um momento de recuperação. “Esse conjunto negativo de indicadores acontece antes da economia Nordestina se recuperar da crise de 2014 a 2016, fazendo com que o cenário de curto prazo não seja favorável à região”, salientou.

O desemprego está sendo analisado em uma situação inicial da pandemia, por isso os dados ainda não são conclusivos. O parecer mais preciso só será constatado com a análise dos três meses seguintes a março. No quadro do desemprego, a taxa na região Nordeste não apresentou queda entre os primeiros trimestres de 2019 e 2020, mas no gráfico dos que deixaram a força de trabalho há um aumento de 2,5%. “Uma hipótese possível é que esse número tenha aumentado por conta da condição de desalento gerada pelo isolamento social ou pelo fato das pessoas não estarem podendo procurar emprego (ou até as duas coisas juntas)”, pontuou ainda Romani.

Assim, é possível observar os efeitos da crise econômica no Nordeste, dado o crescimento das pessoas fora dessa força. Comparando 2020 com 2019 em números, nota-se um crescimento de 512 mil pessoas nesse contingente populacional. Pernambuco é onde está a maioria do crescimento. No Estado, 360 mil pessoas deixaram a força de trabalho (10,5%). O Ceará também apresenta crescimento das pessoas fora dessa força. Observando-se esse indicador existe, portanto, uma correlação entre os estados, a partir do avanço mais intenso da Covid-19.

As vendas também sofreram uma grande queda em março. “A gente observa que a falta de procura por imóveis, por exemplo, diminui o interesse de investimentos. Isso porque a diminuição dos preços não gera um bom retorno para os empresários. Além disso, vemos que a alta na inflação dos preços de alimentos e bebidas já estourou a meta do ano. Dessa forma, as pessoas de classe baixa encontram um ambiente pior no que diz respeito ao suprimento de suas necessidades alimentícias”, destacou o pesquisador Luis Romani.

As três regiões metropolitanas mais importantes do Nordeste (Fortaleza, Recife e Salvador) apresentaram deflação em abril de 2020 em linha com o esperado. Mas, quando os tipos de gastos se desdobram, a dinâmica que se apresenta é bastante perversa. A Região Metropolitana do Recife apresenta acumulado de 5,1% de aumento de alimentos. Isso pode ser explicado por: i) aumento de estoques pelas famílias temendo desabastecimento futuro; ii) aquecimento por conta das políticas de distribuição de renda e iii) restrições na oferta, principalmente de produtos perecíveis cujo abastecimento possa ter sido dificultado pelas medidas de distanciamento social.

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