Balanço

Petrobras lucra R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre

No primeiro trimestre de 2020, com revisões contábeis no valor dos ativos após o início da pandemia, a empresa teve prejuízo de R$ 48,5 bilhões

PetrobrasPetrobras - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Com um balanço impactado negativamente pela desvalorização do real, a Petrobras registrou lucro de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2020, resultado obtido graças à escalada dos preços do petróleo e ao repasse aos preços dos combustíveis.

Desconsiderando efeitos não recorrentes, como o efeito do dólar caro sobre sua dívida, o lucro teria sido de R$ 1,6 bilhão, segundo informou a empresa nesta quinta (13). No primeiro trimestre de 2020, com revisões contábeis no valor dos ativos após o início da pandemia, a empresa teve prejuízo de R$ 48,5 bilhões.

"Os números demostram a capacidade do nosso time de gerar resultados sustentáveis para os nossos investidores e para a sociedade em geral, mesmo em um contexto desafiador", disse, no balanço, o general Joaquim Silva e Luna, que assumiu o comando da empresa há um mês em meio a críticas sobre os preços dos combustíveis.

Nos primeiros três meses de 2021, a empresa operou em um cenário de preços do petróleo melhores do que no mesmo período do ano anterior e vendeu os combustíveis que produz a um preço médio de R$ 350 por barril, 22,1% acima do verificado no início de 2020.

Assim, sua receita subiu 14,2%, para R$ 86,1 bilhões e seu Ebitda, indicador que mede a geração avançou 29,3%, para R$ 47,7 bilhões.

No período, diz a companhia, "houve maiores margens de derivados no mercado interno, principalmente diesel e gasolina, parcialmente compensadas por menor margem de GLP [o gás de cozinha] e menores volumes de vendas".

Entre janeiro e março, a Petrobras promoveu uma série de reajustes em suas refinarias, com alta acumulada de 35% e 28% nos preços da gasolina e do diesel, respectivamente. A escalada gerou insatisfação no governo e culminou com a substituição de Roberto Castello Branco por Silva e Luna.

A troca teve forte impacto no valor das ações da petroleira e levou a uma inédita debandada no conselho de administração da companhia, com cinco membros declinando de convite do governo para recondução a seus cargos.

Embora tenha sido nomeado em meio a críticas sobre a política de acompanhamento das cotações internacionais do petróleo, Silva e Luna afirmou em sua posse que respeitaria a paridade internacional de preços e que o desafio da empresa é "conciliar interesses de consumidores e acionistas".

O desempenho favorável nos preços do mercado interno durante o primeiro trimestre, porém, foi parcialmente compensado pelo impacto negativo de R$ 18,7 bilhões da variação cambial sobre sua dívida, 123% acima do registrado no mesmo período de 2020.

A companhia fechou o trimestre com dívida bruta de de US$ 70,9 bilhões, queda de 20,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A Petrobras diz no balanço que se beneficiou ainda de maiores margens na exportação de petróleo e de óleo combustível, parcialmente compensadas por menor volume de petróleo exportado.

No primeiro trimestre, a Petrobras produziu 2,765 milhões de barris de petróleo e gás por dia, queda de 5% em relação ao primeiro trimestre de 2020, resultado de vendas de ativos de produção e declínio natural de campos produtores. Na comparação com o quarto trimestre de 2020, houve alta de 3,1%.

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