Petrobras quer se aproximar de equipes econômicas de presidenciáveis

Embora a maioria dos candidatos tenha, até o momento, se posicionado contra a privatização da Petrobras, esse é um tema recorrente em anos de campanha eleitoral

PetrobrasPetrobras - Foto: Bruno Covas

A menos de um mês do primeiro turno da eleição presidencial, a Petrobras iniciou conversas com economistas que coordenam campanhas dos principais candidatos, comentou Ivan Monteiro, presidente da estatal, a jornalistas nesta segunda-feira (10).

Sem relevar nomes, Nelson Silva, diretor executivo de estratégia, organização e sistema de gestão da petroleira, afirmou que os encontros começaram há cerca de duas semanas, mas ainda não foram concluídas reuniões com as equipes de todos os presidenciáveis. "A ideia é discutir a história da companhia, resultados, plano de negócios já disponíveis, a presença e contribuição da empresa para a sociedade", disse Silva.

Embora a maioria dos candidatos tenha, até o momento, se posicionado contra a privatização da Petrobras, esse é um tema recorrente em anos de campanha eleitoral, assim como a possível troca de comando da empresa após o pleito. Depois de um encontro com investidores nesta segunda, Monteiro afirmou que "analistas não externaram preocupação" com a continuidade ou não do corpo diretivo da empresa.

"As mudanças estatutárias que fizemos criaram um ambiente de segurança muito grande para a companhia. Claro que pode ser convocada uma assembleia para alterar o estatuto, embora não seja simples. E não nos parece razoável que alguém pense em fazer alterações que diminuam o nível de transparência e governança que alcançamos", diz Monteiro.

"Tudo que é externo só vai nos beneficiar se mantivermos internamente a casa arrumada, dando continuidade à redução da alavancagem, ao programa de desinvestimentos, saindo de áreas que não fazem mais sentido para a empresa e mantendo nossa política de preço", completou Monteiro.

A Petrobras informou também nesta segunda uma projeção de queda na dívida líquida para US$ 69 bilhões em 2018, contra US$ 85 bilhões no ano passado. Ao fim do primeiro semestre deste ano, a estatal já havia reduzido a dívida para US$ 73,66 bilhões.

A petroleira reforçou a meta da companhia de atingir uma relação entre dívida líquida e Ebitda, principal indicador de endividamento, de 2,5 vezes até o fim do ano. Em junho, registrou nível de 3,23 vezes. A empresa ainda previu fluxo de caixa de US$ 15 bilhões no fim do ano, contra US$ 13,9 bilhões em 2017. Desde 2015 que a estatal registra fluxo de caixa livre positivo.

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Sobre o mecanismo que permite à empresa segurar o preço da gasolina por até 15 dias, anunciado na quinta-feira (6), Monteiro afirmou que não houve nenhuma interferência governamental na decisão. "Houve zero submissão ao governo. Temos toda uma política de governança. A proposta vinha sendo estudada há 60 dias. Quando ficou madura, submetemos à diretoria executiva", disse.

A Petrobras anunciou a mudança após uma sequência de aumentos no preço da gasolina que elevou o preço cobrado nas refinarias em 12%. O objetivo, disse a empresa ao fazer o anúncio, é suavizar o repasse das volatilidades aos seus clientes. 

Segundo a estatal, a partir de agora, a área comercial da empresa pode propor períodos sem repasses de até 15 dias quando entender que o mercado está sendo pressionado por razões externas, como desastres naturais ou choques cambiais -razão do ciclo de alta atual, iniciado no dia 18 de agosto.

"Estamos de olho na temporada de furacões, que chegaram a provocar variação de 6% a 7% no dia apenas com um produto, levando a variação diária a 8%. Pela política anterior, teríamos que repassar toda essa volatilidade. E tendo fim o evento climático, o preço retorna na faixa de 6% para baixo. Essa volatilidade também não é adequada", disse Monteiro.

A empresa usará mecanismos financeiros de proteção, conhecidos como hedge, para manter as margens de lucro. Ao decidir segurar os repasses, comprará contratos futuros de gasolina ou de câmbio, que serão vendidos após os reajustes.

Segundo Monteiro, já há estudos preliminares para avaliar a possibilidade de se aplicar o mecanismo de hedge também ao diesel, quando terminar o programa de subvenção ao combustível promovido pelo governo, no próximo ano. "Vamos olhar o que vai acontecer pela experiência com a gasolina", afirmou.

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