Petróleo WTI cai 140% e tem preço negativo pela 1ª vez na história

A queda é fruto da forte pressão vendedora do contrato de maio que vence nesta segunda

Petróleo tem maior tombo desde a Guerra do GolfoPetróleo tem maior tombo desde a Guerra do Golfo - Foto: AFP

 O contrato futuro com vencimento em maio do barril de petróleo WTI (West Texas Intermediate), referência nos Estados Unidos, colapsa nesta nesta segunda-feira (20). Por volta das 15h30, ele despenca 140% na Bolsa de Chicago, a menos US$ 7,31 (R$ 38,81) o barril, menor valor da série iniciada em 1983, na maior queda da história. Como é um contrato futuro, o valor pode ser negativo.


A queda é fruto da forte pressão vendedora do contrato de maio que vence nesta segunda. Investidores não querem terminar o pregão corregando os papéis em um cenário de forte queda de demanda pela pandemia da Covid-19.

"Você tem a opção de fazer a liquidação financeira ou física quando o contrato vence e isso é definido logo no preenchimento do contrato", afirma Alan Ghani, professor de Finanças do Insper.

Leia também:
Gasolina nas refinarias passa a R$ 0,91 por litro após novo corte
Preço do petróleo americano desaba a menos de US$ 13 o barril

O contrato de WTI com vencimento em junho tem uma queda menos expressiva, de 16,5%, a US$ 20,89. Já o contrato do barril de petróleo Brent, negociado na Bolsa de Londres e referência internacional, cai 8,5%, a US$ 25,68, menor valor desde 1º de abril.

A matéria-prima sofre uma forte desvalorização de cerca de 60% neste ano, com a guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita e a desaceleração econômica devido a medidas de combate ao coronavírus.

Além disso, o acordo da Opep+, (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e demais produtores, como Rússia), para reduzir a produção do óleo de modo a elevar o preço foi considerada insuficiente pelo mercado.

Conforme o uso do petróleo cai, o armazenamento sobe. No centro de entregas de Cushing, em Oklahoma, estão estocados 55 milhões de barris, perto da capacidade máxima de 76 milhões de barris.

O petróleo armazenado em navios flutuantes também está em nível recorde, com estimados 160 milhões de barris. A forte queda da commodity derrubou as principais Bolsas globais. Nos EUA, Dow Jones cai 1,2% e S&P 500, 0,3%, enquanto Nasdaq opera estável.

No Brasil, o Ibovespa recua 0,15%, a 78.876 pontos. As ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras caem 2,2%, a R$ 15,78, enquanto as ordinárias (com direito a voto) operam em queda de 1,2%, a R$ 16,51.

Já o dólar comercial sobe 1,3%, a R$ 5,3060, maior valor desde 3 de abril, quando a divisa foi ao recorde de R$ 5,3270. Na máxima desta sessão, o dólar foi a R$ 5,3130. O turismo está a R$ 5,52 na venda.

Além da turbulência do mercado financeiro internacional, a moeda reflete a tensão política brasileira, após líderes do Legislativo e Judiciário repudiaram a participação do presidente Jair Bolsonaro de um ato pró-golpe no domingo (19).

Acompanhe a cobertura em tempo real da pandemia de coronavírus

 

Veja também

Brasil perde chance de combater sonegação via paraísos fiscais, diz secretária da OCDE
SONEGAÇÃO

Brasil perde chance de combater sonegação via paraísos fiscais, diz secretária da OCDE

Consumidor pode pagar mais R$ 3,6 bi na conta de energia para evitar apagão
CONTA DE LUZ

Consumidor pode pagar mais R$ 3,6 bi na conta de energia para evitar apagão