Preço do arroz bate recorde com alta procura, diz Cepea

No início do mês, o preço do ovo já havia atingido o maior patamar da série histórica, também refletindo a elevada procura

ArrozArroz - Foto: AFP

 

A combinação entre aumento da procura após o início das medidas de isolamento e menor produção levou o preço do arroz a atingir recorde nominal (sem considerar o efeito da inflação) desde que o Cepea (Centro de Pesquisa Econômica Aplicada), da Esalq/USP, começou a levantar o dado, em 2005.

No início do mês, o preço do ovo já havia atingido o maior patamar da série histórica, também refletindo a elevada procura. Com restrições à circulação, os brasileiros têm feito mais refeições em casa, o que pressionou os preços dos alimentos em um momento de dificuldades financeiras principalmente para as famílias de baixa renda.

Até o dia 24 de abril, diz o Cepea, o indicador de preços do arroz sem casca no Rio Grande do Sul, principal produtor do país, acumula alta mensal de 8,11%. No ano, a valorização é de 13,2%¨e, em 12 meses, o preço do arroz já sobe quase 30%.

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O aumento do preço ao produtor ainda não foi totalmente repassado ao longo da cadeia. Para o produto beneficiado, a FGV Dados aponta aumento de 4,6% no ano e 15,3% em relação a março de 2019. No primeiro trimestre, segundo o IPCA, o preço do varejo subiu 4% no mês passado.

"Assim, como os valores para o produto beneficiado no atacado e no varejo ainda não refletiram a intensidade de altas do produto em casca, é de se esperar que os dados reverentes ao mês de abril de 2020 venham com novas reações positivas de preços", afirma estudo do Cepea divulgado nesta quarta (29).

Isso é, o consumidor pode esperar novos reajustes. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o arroz pesa mais no orçamento de famílias de baixa renda: representa 4% do orçamento de quem ganha até dois salários mínimos, quase o dobro da média da população.

O Cepea diz que, desde março, os consumidores passaram a comprar maiores volumes, o que forçou o varejo a reforçar estoques. "Em alguns casos, agentes apontaram vendas sendo triplicadas no período, com o atacado e o varejo visando formar estoques", diz o estudo.

Beneficiadores de arroz apontaram ainda problemas logísticos para a entrega do produto em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, o que teria elevado os custos do transporte. Como as indústrias desses estados reduziram a produção, dizem, mais caminhões retornam vazios para o Rio Grande do Sul, aumentando o valor do
frete.

Segundo o Cepea, a safra de arroz 2019/2020, será a segunda menor da história, acima apenas da safra anterior, devida à migração de produtores para outras culturas mais rentáveis, como a soja. Nos últimos dez anos, a produção de arroz no Brasil caiu em média 1,8% ao ano - este ano, será de 10,5 milhões de toneladas.

A demanda caiu 1,6% ao ano, passando de 12,2 milhões de toneladas no início da década para 10,2 milhões de toneladas na safra 2018/2019. Para a safra atual, o número deve chegar a 10,6 milhões de toneladas.

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