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Presidente do Bradesco não vê consignado do Auxílio Brasil como uma boa operação

Banco decidiu ficar fora dessa linha de crédito, que não tem teto para juros

Octavio de Lazari, presidente do BradescoOctavio de Lazari, presidente do Bradesco - Foto: Reprodução / Youtube

O Bradesco, segundo maior banco privado do país, não vai oferecer empréstimo consignado aos beneficiários do Auxílio Brasil. O presidente da instituição, Octavio de Lazari Junior, afirmou que como se trata de uma operação de juros elevados (sem teto estabelecido) e o benefício oferecido pelo governo tem data para terminar (dezembro deste ano), ou seja é temporário, o Bradesco decidiu não operar nesse segmento.

"Não se trata de uma aposentadoria ou pensão, mas um benefício a pessoas que estão em dificuldades. Portanto, o Bradesco não vai operar nessa carteira. Estamos falando de pessoas vulneráveis. Em vez de ser uma boa operação para o banco e para o cliente, entendemos que a pessoa terá mais dificuldade quando o benefício cessar - disse Lazari, durante apresentação dos resultados do Bradesco no segundo trimestre, quando apresentou lucro líquido de R$ 7,04 bilhões, crescimento de 3,2% em relação ao trimestre anterior e de 11,4% na comparação com o mesmo período de 2021.

Nos últimos três meses, o Bradesco registrou um aumento de inadimplência de 0,3 pontos percentuais, acima de 90 dias, especialmente entre as micro e pequenas empresas e pessoas físicas. O banco informou que realizou ajustes em seus modelos de crédito, o que na prática, significa que a concessão de crédito ficou mais rígida.

"Ninguém consegue prever onde vai chegar o índice de inadimplência. Este é um momento de maior dificuldade (com juros altos, inflação). Tivemos que ajustar nossos modelos de crédito. A Selic não é mais 2%, mas quase 14%. Esse ajuste, exclui pessoas que poderiam ter crédito", disse Lazari.

Analistas da Ativa Investimentos avaliaram que a inadimplência no Bradesco ficou um pouco acima das expectativas. O aumento das provisões acabou sendo 2,9% maior do que os analistas esperavam, o que é "extremamente relevante para os resultados futuros do banco".

Lazari lembrou que, antes da pandemia, as provisões para perdas eram de R$ 36 bilhões. Atualmente, estão em R$ 48 bilhões, R$ 12 bilhões a mais. Mesmo assim, a expectativa de crescimento da oferta do crédito no Bradesco, este ano, é de entre 10% e 14% este ano. No primeiro semestre, o crescimento foi de 17,7%.

"Devemos crescer em ritmo mais moderado. Mas temos provisões para cobrir aqueles clientes que não conseguiram pagar. A inadimplência é um ciclo normal que a gente passa. Não se pode olhar em apenas um trimestre, mas um período maior, de um a dois anos", explicou Lazari.

Para o segundo semestre, Lazari observa que a taxa de juros "já tenha chegado ao teto", e o país gere mais empregos, e as pessoas tenham mais renda. A inflação e a alta do dólar também não devem ter mais uma subida expressiva, prevê ele. Além disso, o pagamento do Auxílio Brasil, especialmente a população mais vulnerável, traz um alívio para o bolso

"Essas variáveis macroeconômicas terão mais equilíbrio e a taxa de inadimplência fica mais acomodada - disse o presidente do Bradesco, prevendo que o cenário econômico será mais sereno no segundo semestre, mesmo com eleições e Copa do Mundo".

Manifesto pela democracia

Lazari assinou como pessoas física o manifesto da federação das Indústrias do estado de São Paulo (Fiesp), que está sendo divulgado nesta sexta-feira.

- Foi uma posição pessoal em defesa da democracia. O teor do manifesto é sereno e vai na direção de que todo brasileiro gostaria: a defesa da democracia, que é nosso grande patrimônio - afirmou.

Ele observou que a decisão da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) em assinar o manifesto pela democracia da Faculdade de Direito da USP foi tomada de forma democrática, em votação. O conselho Diretor da entidade convocou os bancos e quem não estava confortável em aderir, votou pela não adesão. Caixa e Banco do Brasil votaram contra a assinatura.

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