Privatização do Aeroporto do Recife tem modelo criticado
Aeroporto do Recife será concedido em bloco, ao lado de mais cinco terminais que não geram lucro. Esse modelo de privatização é criticado
A privatização do Aeroporto do Recife vai gerar investimentos da ordem de R$ 834 milhões para o terminal pernambucano, segundo a Secretaria de Aviação Civil do Ministério dos Transportes. O valor, no entanto, é bem menor que o previsto para o Aeroporto de Salvador, que tem uma movimentação de passageiros similar à do Recife e deve receber R$ 2,8 bilhões. É que, ao contrário do terminal baiano, que foi concedido individualmente, o Aeroporto Internacional dos Guararapes será concedido em bloco, ao lado de mais cinco terminais que não geram lucro.
“Pela primeira vez, o aeroporto de uma capital brasileira será agregado a terminais deficitários. Por isso, vamos receber R$ 2 bilhões a menos que o Aeroporto de Salvador”, denunciou o deputado federal Felipe Carreras (PSB). Ele explicou que os aeroportos brasileiros costumavam ser concedidos à iniciativa privada de forma individual. Os terminais de Brasília, Galeão e Guarulhos, por exemplo, foram privatizados um de cada vez. Neste ano, no entanto, o Governo Federal decidiu conceder 13 aeroportos através de três blocos, para que os terminais superavitários compensassem o resultado dos deficitários.
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O do Recife, por exemplo, será leiloado junto com os de Maceió, Aracaju, Juazeiro do Norte, João Pessoa e Campina Grande, que estão no vermelho. “O objetivo é que os grandes aeroportos ajudem a pagar a conta dos pequenos aeroportos”, argumentou um representante da Secretaria de Aviação Civil, Ronei Glanzmann, alegando que isto ajudaria a construir uma rede aérea sustentável no País.
Para o Governo de Pernambuco e a Prefeitura do Recife, no entanto, isso pode reduzir o faturamento e os investimentos do Aeroporto do Recife, fazendo com que o terminal perca a liderança recém-conquistada do mercado nordestino. Por isso, Carreras promoveu uma audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir o modelo de privatização do terminal ontem. “Vamos mobilizar a classe política e o setor produtivo. Não vamos admitir isso, porque corremos o risco de perder espaço para outros aeroportos do Nordeste com este modelo de privatização”, declarou o parlamentar.
Além da bancada pernambucana, participaram da audiência a secretária de Turismo de Pernambuco, Manuela Marinho; um representante da Anac, Tiago Pereira; e Glanzmann, pelo Ministério dos Transpores. E, segundo Carreras, o Governo Federal se comprometeu a avaliar a questão até junho, visto que o leilão dos aeroportos está previsto para o fim do ano. Por isso, audiências públicas devem ser realizadas no Nordeste no próximo mês. No Recife, a discussão está prevista para 3 de maio.

