Privatização pode favorecer hub da Latam

Entrada do Aeroporto do Recife no PPI ajudaria a atrair investidores

Boa avaliação do terminal aéreo conta a favor para um plano futuro de concessão privadaBoa avaliação do terminal aéreo conta a favor para um plano futuro de concessão privada - Foto: Arthur Mota

 

A possível entrada do Aeroporto Internacional do Recife/Gilberto Freyre no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Governo Federal pode mudar o jogo e ajudar a atrair o hub da Latam para Pernambuco. É que, na análise dos especialistas, entregar o terminal à iniciativa privada pode melhorar a infraestrutura do equipamento e pesar na balança no momento em que a companhia tomar uma decisão final.

Recife concorre com Fortaleza e Natal desde 2015, quando a empresa anunciou a intenção de construir um centro de conexões na Região - que tem potencial para concentrar a demanda de transporte aéreo da América do Sul para a Europa e África. Atualmente, a negociação está suspensa em função das instabilidades econômicas, mas segue nos planos da empresa.
“Temos bons exemplos do quanto a privatização fez bem a alguns aeroportos do Brasil. Os terminais de Guarulhos (SP) e Galeão (RJ), por exemplo, eram péssimos e administrados pela Infraero. Atualmente, e depois das concessões, as diferenças de infraestrutura e de serviço são gritantes”, comparou o professor da área de lazer e turismo da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Trigo, destacando que, no caso da Latam, o interesse por executar o projeto em um aeroporto privado seria justificável por ser, naturalmente, mais rentável.
Se o Aeroporto do Recife for concessionado, o embate direto pelo hub da Latam será com o terminal Pinto Martins, de Fortaleza, que segue na lista de concessões anunciadas pelo presidente Michel Temer. No caso de Fortaleza, a situação está bem mais encaminhada pois o edital foi publicado no fim de 2016 e o leilão está previsto para acontecer até março deste ano.

Mas, por si só, a privatização do aeroporto não seria capaz de garantir o hub. Em entrevista ao G1, a presidente da Latam no Brasil, Claudia Sender, disse que é preciso mudar o próprio modelo de concessão dos aeroportos brasileiros. “Nos aeroportos concedidos tivemos aumentos muito expressivos de todas as taxas não tabelas”, pontuou ao portal.
Segundo o professor da USP, Luiz Trigo, concorda que é preciso mudar as regras. “As companhias pleiteiam uma melhora no edital de concessão e que lhes deem uma maior autonomia administrativa, o que ainda não é possível porque a Infraero continua com parte considerável do controle após a privatização”, analisou, acrescentando que a instabilidade econômica gerada a partir de uma incerteza política também prejudica as concessões.
O interesse em transferir o Aeroporto do Recife ao parceiro privado foi levantado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico e vice-governador do Estado, Raul Henry. Nos primeiros dias após tomar posse como representante da pasta, o mesmo foi a Brasília destravar o assunto. “A informação de Moreira Franco (responsável pelo PPI) é que não havia nenhum planejamento no curto prazo. Mas, se Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ) entrarem, há grande chance de Recife entrar”, avaliou.

Sobre esse fator aumentar as probabilidades do empreendimento angariar o hub, Henry disse que só a Latam pode responder. No entanto, reforçou que a privatização pode atrair investimentos para Pernambuco.
Mas não só isso, na opinião do professor de finanças do Ibmec/Brasília, Marcos Melo. Para ele, a privatização seria a oportunidade de o terminal do Recife fazer as adequações necessárias para receber o empreendimento do grupo chileno. Em estudo encomendado pela Latam, Recife precisaria construir um novo terminal. Procurada, a Infraero respondeu que “a decisão sobre a mudança do modelo de gestão dos aeroportos compete ao Governo Federal, por meio do Ministério dos transportes, portos e aviação Civil.”

 

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