Produção industrial no Brasil tem maior queda desde fevereiro de 2016

A principal influência negativa veio da indústria de automóveis, que recuou 7,6% em janeiro

A prévia da Sondagem da Indústria de agosto mostra queda de 0,8 ponto do Índice de Confiança da Indústria (ICI)A prévia da Sondagem da Indústria de agosto mostra queda de 0,8 ponto do Índice de Confiança da Indústria (ICI) - Foto: Arquivo / Agência Brasil

Depois de crescer quatro meses consecutivos, entre setembro e dezembro de 2017, a produção industrial caiu 2,4% em janeiro, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (6). Essa foi a maior queda desde fevereiro de 2016 (-2,5%).

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, porém, a produção subiu 5,7%, em 12 meses acumula alta de 2,8%. As expectativas em pesquisa da agência Reuters com economistas eram de queda de 1,9% na variação mensal e de alta de 5,85% na base anual.

Em janeiro, a queda na atividade industrial foi generalizada, alcançando três das quatro grandes categorias econômicas e 19 dos 24 ramos pesquisados. A principal influência negativa veio da indústria de automóveis, que recuou 7,6% em janeiro, depois de ter crescido 9,1% em dezembro. Também contribuíram para a baixa metalurgia (-4,1%), produtos de borracha e de material plástico (-5,4%) e produtos alimentícios (-1,1%).

André Macedo, gerente da pesquisa, observa que o setor de veículos foi decisivo tanto para o crescimento da indústria em dezembro quanto para sua queda em janeiro.
"A indústria automobilística tem um forte efeito de encadeamento e afeta diversos ramos que produzem componentes utilizados nos automóveis", disse.

Por outro lado, os veículos exerceram a maior influência positiva na comparação com janeiro de 2017. O crescimento de 5,7% da indústria foi verificado em 20 dos 26 ramos industriais, e veículos registraram alta de 27,4%.

Macedo diz que o resultado de janeiro não pode ser considerado isoladamente, porque é influenciado pela produção forte de dezembro. "O setor industrial continua apresentando características de recuperação de perdas do passado, mas uma recuperação gradual."

CATEGORIAS
Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo duráveis mostrou a queda mais acentuada na comparação mensal (-7,1%) e eliminou parte da expansão de 9,8% acumulada nos dois últimos meses de 2017. Essa foi a taxa negativa mais intensa desde março de 2017 (-7,5%).

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Os segmentos de bens intermediários (-2,4%) e de bens de capital (-0,3%) também recuaram no mês. O único a crescer (0,5%) foi o setor de bens de consumo semi e não duráveis, segundo avanço consecutivo na comparação mensal.

SETORES
Entre os setores, a principal influência negativa na comparação mensal foi de veículos automotores, reboques e carrocerias (-7,6%), devolvendo, assim, parte da expansão de 9,1% verificada no mês anterior.

Outras contribuições negativas relevantes sobre a indústria vieram de metalurgia (-4,1%) e de produtos de borracha e de material plástico (-5,4%). Entre os cinco ramos que ampliaram a produção no mês, os desempenhos de maior importância foram registrados por produtos farmoquímicos e farmacêuticos (21%), indústrias extrativas (2,2%) e bebidas (5%).

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