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Produtores criticam decisão da Camex

A discussão sobre a taxação do etanol dos EUA foi adiada por 30 dias. Medida traz perdas à cadeia sucroalcooleira do País

Para plantadores de cana, concorrência com os EUA?é deslealPara plantadores de cana, concorrência com os EUA?é desleal - Foto: Mayke Toscano/Gcom-MT

A decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) de adiar por 30 dias a discussão sobre o aumento da tarifa de importação do etanol vindo dos Estados Unidos (EUA) prejudica a cadeia sucroalcooleira do País. É que a indefinição mantém as portas abertas para um produto isento da tributação de 20%, tirando a competitividade do mercado interno brasileiro. A entrada do produto estrangeiro no País cresceu 330% no 1o semestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.

"Além da insensibilidade do Governo ao postergar a volta da tributação, gerando a continuidade dos significativos prejuízos socioeconômicos dentro do País, ainda circula informalmente a notícia de que na próxima reunião da Camex será permitida cota de importação de 500 milhões de litros de etanol ao ano sem o imposto, taxando em 20% a partir do excedente desta quantia", contou Alexandre Andrade Lima, presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) e a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP).

Para Andrade Lima, é irresponsável adotar tal medida, se assim for confirmada. "Este ano, por exemplo, mais de um milhão de toneladas de etanol importado já entrou no Brasil. Isso tem inviabilizado o etanol nacional diante da concorrência desleal que gera, obrigando as usinas do País a produzirem ainda mais açúcar ao invés do combustível. Esta situação amplia o excedente mundial do açúcar, rebaixando a já precária precificação do alimento e do etanol de cana", disse.

Ainda na análise dele, é inadmissível qualquer proposta que isente etanol importado, sobretudo depois de seis anos consecutivos de seca; e ainda mais, este ano, quando já há um grande volume no mercado nacional. "É absurdo permitir a entrada de 500 mil toneladas isentas, sendo ainda maior em 2017", revela o presidente, frisando que, só no 1o semestre, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, a compra do combustível renovável no exterior movimentou US$ 614,4 milhões, alta de 388,3% sobre os US$ 131,56 milhões de igual período de 2016.

Para o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, esse adiamento traz danos para a cadeia. "Os direitos dos produtores do País e do Nordeste, sobretudo, precisam ser garantidos.

Pois, do contrário, é possível que as próximas safras (como algumas usinas da Mata Norte, cuja safra já começa em agosto) sofram com essa interferência do produto americano. O adiamento pode provocar, inclusive, mais dificuldades para as vendas e para as receitas dos municípios canavieiros", lamentou, na expectativa de que a Camex reveja sua decisão.

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