Proposta de privatização reforça impasse entre petroleiros e Petrobras

Insatisfeitos com a proposta da empresa, os sindicatos ameaçam realizar uma greve

Sede da PetrobrasSede da Petrobras - Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

O anúncio de estudos para a privatização da Petrobras acirrou impasse entre trabalhadores e a direção da estatal, que negociam neste momento o acordo coletivo de trabalho. Insatisfeitos com a proposta da empresa, os sindicatos ameaçam realizar uma greve.

As negociações salariais já duram mais de três meses e a Petrobras apresentou sua proposta final no dia 8 de agosto. Os principais sindicatos de petroleiros recomendam a rejeição dos termos propostas, alegando que representam cortes de direitos.

Com a ideia de estudar a privatização total da empresa até o fim do governo Bolsonaro, lideranças sindicais começam a anunciar mobilizações. Nesta segunda (26), o Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA) promove ato em frente à sede da estatal no estado.

Leia também:
Maia quer que dinheiro de fundo da Petrobras seja destinado para Amazônia
Lista de privatização inclui Correios, Eletrobras, CBTU e Casa da Moeda, diz jornal
Promessa de privatização faz cotação de estatais disparar na Bolsa
 

"Em toda a sua história, a categoria petroleira nunca correu tantos riscos de perder seus empregos e direitos", diz o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, que também é dirigente do sindicato baiano.

A possibilidade de privatização da Petrobras voltou à tona no último dia 15, quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em evento que "o presidente [Jair Bolsonaro] está cada vez mais ligado nessa agenda de privatizações".

Na semana passada, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que a venda da estatal será estudada pelo Programa de parcerias e Investimentos (PPI). "Por tudo que ela significa, será feito algo muito criterioso", ponderou o ministro. Logo depois, Bolsonaro afirmou que o governo "estuda tudo".

Por enquanto não há confirmação de que a estatal petroleira entrará na lista nem detalhes de como serão feitos os estudos de privatização. Mas a simples ideia de que o processo pode ser tocado fez as ações da empresa dispararem na bolsa na quarta (21), animando analistas e investidores.

Entre empregados da Petrobras, as notícias ainda são vistas com cautela, diante da falta de informações mais detalhadas sobre os objetivos do governo. Antigo defensor da privatização, o atual presidente da companhia, Roberto Castello Branco, tem dito que não tem mandato para defender o tema.

Sindicalistas apontam que o processo já vem sendo feito "em fatias" com a venda de subsidiárias e negócios considerados não prioritários por meio do plano de desinvestimentos da companhia, iniciado ainda no governo Dilma com o objetivo de reduzir o elevado endividamento da companhia.

Já ensaiaram outras greves neste período, mas sem grande adesão. Desta vez, contam com a rejeição à proposta de acordo coletivo da Petrobras para angariar apoiadores. A empresa propôs reajuste equivalente a 70% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e redução nos valores pagos por horas extras trabalhadas.

As duas federações de petroleiros do país -FUP e Federação Nacional dos Petroleiros (FNP)- que têm um longo histórico de divergências, se uniram em uma única mesa de negociação com a empresa para discutir o acordo.

A categoria, que teve elevados ganhos reais durante as gestões petistas, vem brigando para repor a inflação desde o estouro da crise da Lava Jato. Em 2017 e 2018, conseguiram reajuste equivalente ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial de inflação.

Os sindicatos questionam também a nova política de remuneração variável anunciada pela gestão Castello Branco, que propõe o pagamento de bônus por desempenho (em fatias mais generosas a empregados do alto escalão) ao invés de modelo que limita a diferença de ganhos entre os diferentes níveis hierárquicos.

Aos trabalhadores, a Petrobras vem defendendo que, apesar das recentes vendas de ativos, seu endividamento ainda é elevado e que paga juros mais altos do que suas concorrentes. Em nota à Folha, disse que a proposta atual é a final e que o acordo coletivo vigente perde a validade no dia 31 de agosto.

Veja também

IBGE prepara realização do Censo em 2022 para cumprir decisão do STF
Censo

IBGE prepara realização do Censo em 2022 para cumprir decisão do STF

Começou o Google I/O. Confira os anúncios da gigante da Internet
Novidades

Começou o Google I/O. Confira os anúncios da gigante da Internet