Quando o hobby vira profissão

Em busca de felicidade no trabalho, muitas pessoas estão assumindo novos ofícios

Gustavo Negromonte foi o entrevistado do programa Folha Política, da Rádio Folha 96,7 FMGustavo Negromonte foi o entrevistado do programa Folha Política, da Rádio Folha 96,7 FM - Foto: Mandy Oliver/Folha de Pernambuco

 

“Escolha um trabalho que você ama e nunca terá que trabalhar um dia sequer na vida”, filosofou o antigo pensador chinês Confúcio. Mas, na correria do dia-a-dia, as condições atuais não contribuem para que esse romantismo se torne realidade. Em contrapartida, para conquistar a proeza de ser feliz profissionalmente, muitas pessoas arriscam o ‘certo’ para mergulhar na construção do sonho: trabalhar com o hobby e ainda ganhar dinheiro.

Formada em turismo, com especialização em planejamento turístico e mestre em antropologia, Shiguemi Matsumya foi professora por no­­­ve anos em cinco universidades. Apesar do currículo, a carreira não foi sinônimo de felicidade. Este ano, ela trocou o ofício para ser terapeuta de constelação sistêmica. Faturando praticamente o mes­­­mo, está muito mais feliz. “Consigo curtir mais minha família e tenho mais tempo para mim”, anima-se.

Shiguemi não é a única. Embora a recessão econômica que o País enfrenta tenha levado muitos brasileiros ao empreendedorismo apenas como resposta ao desemprego - ou seja, por necessidade -, muitos ainda criam coragem e largam tudo para ir atrás de uma atividade que gere mais satisfação. No ano passado, por exemplo, 56,5% dos empreendedores tornaram-se autônomos por oportunidade (talento) - segundo dados da pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Em 2014, no entanto, esse número era bem maior: 70,6%.

Mesmo com os números decrescentes, o sonho de ter uma vida mais tranquila e de fazer o hobby virar uma profissão ainda resiste. Alan Cavalcanti e sua esposa Talita Marques, donos e idealizadores do Café Malakoff Gourmet, são exemplos dessa resistência. Ele é administrador e ela jornalista, mas ambos não estavam mais felizes na profissão. A saída, segundo eles, foi juntar isso a vontade de empreender. Foi quando Cavalcanti decidiu se tornar barista e, daí, montaram seu primeiro espaço.

 “Já estávamos trabalhando sem muito entusiasmo na empresa. A ideia de abrir o café, a implementação e a sua repercussão positiva trouxeram muito mais satisfação”, contou Cavalcanti. Para se ter noção, eles se tornaram um case de sucesso recifense com o novo conceito de café caseiro e espaço aconchegante. “Deu mais certo do que pensávamos. Tanto que até esperamos lançar a franquia no ano que vem”.

Quem vive a mesma situação é a jornalista e acupunturista Jamille Coelho. “Exerci ambas as atividades simultaneamente e levei até quando tive que escolher. Eu já estava muito cansada e ficando doente, porque não me alimentava corretamente”, conta. Ela preferiu optar pela acupuntura, pois “além de trazer paz para si, ainda leva o bem às pessoas”. Hoje, sem trabalhar nos fins de semana, nem feriado, ela fatura o mes­­­mo e até mais que antes.

 

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