Quer investir em bitcoin? Veja como

Uma máquina de compra e venda da moeda virtual já funciona no Paço Alfândega de olho no pólo tecnológico local

Edgar diz  que o Fab Lab dá desconto para quem usar os “bits”Edgar diz que o Fab Lab dá desconto para quem usar os “bits” - Foto: Henrique Genecy

O Recife Antigo se orgulha de ser o Vale do Silício pernambucano, polo tecnológico com terreno fértil para novidades. Por isso mesmo o bairro foi escolhido para receber uma máquina de vendas de bitcoins, as moedas digitais ainda pouco conhecidas do público em geral, mas que vêm crescendo exponencialmente no mercado. O equipamento, que funciona como se fosse um caixa eletrônico, está instalado no segundo piso do shopping Paço Alfândega e quem usa já consegue gastar os seus ‘bits’ sem sair da vizinhança.

“As bitcoins vão dominar o mundo”, profetiza o diretor da empresa Coinwise, especializada em criptomoedas ou dinheiro protegido por criptografia e responsável pela empreitada, Marco Carnut. Com um jeitão acelerado, bem adequado ao ritmo dos negócios digitais, Carnut conta que o projeto da máquina de vendas de bitcoins, chamada de Bit Vending, começou com a ideia de capilarizar o uso da moeda. “É mais uma forma de divulgar, por isso o cartão, que é físico e funciona como um veículo para administrar as bits”, justifica.

Ele explica o funcionamento da máquina: “Você deposita R$ 50 e recebe um cartão com as bitcoins (nesse caso 3,5 milésimos de bitcoins), que são armazenadas em uma carteira virtual”, explica. Também é permitido fazer a operação reversa, ou seja, trocar as bitcoins por cédulas tradicionais, utilizando a mesma máquina. Além disso é possível utilizar as moedas virtuais em operações de compras. O La Douane, também no Paço Alfândega, foi o primeiro restaurante do Brasil a aceitar bitcoins. “Há uma comunidade grande de informática no bairro. Percebemos essa demanda e apostamos”, conta Emílio Macedo, proprietário da casa.

O Fab Lab, também no mesmo shopping, não só aceita os ‘bits’ como oferece 10% de desconto para quem pagar com a criptomoeda. “Achamos que tem tudo a ver com a nossa proposta, pois está ligado ao futuro do consumo”, expõe Edgar Andrade, articulador de gente/CEO do Fab Lab Recife. Embora ainda restrita, a lista de estabelecimentos que aceitam bitcoins no Recife vem se diversificando. Já engloba, por exemplo, escritórios de advocacia. “Temos uma presença forte nos setores de tecnologia, então, nada mais natural”, diz o advogado Gustavo Costa, sócio do escritório Cavalcante Costa Maranhão.

Como funciona?

“A bitcoin recria na internet as propriedades do dinheiro em espécie”, define Marco Carnut. Ele explica que é possível negociar bitcoins sem qualquer tipo de cadastro (assim como o dinheiro), apenas acessando um celular ou computador com internet. As transferências são rápidas e podem ser feitas para qualquer lugar do mundo, de modo quase tão fácil quanto enviar uma mensagem no Whatsapp.

“Aqui ainda é pouco difundido, mas no resto do mundo já está pegando fogo. Tanto que as cotações pipocaram este ano”, comenta. Ele não mente. De pouco mais de US$ 1 mil, no começo deste ano, a moeda passou ultrapassou os US$ 4 mil este mês, o equivalente a pouco mais de R$ 12 mil. Para quem achou caro é importante saber que o bitcoin é divisível em até oito casas decimais e a maioria das corretoras na internet permite comprar a partir de R$ 10 (equivalente a 0.00071428 bitcoins).

A cotação, contudo, varia e não há um órgão governamental que a regule, justamente porque a ela não é ligada a nenhum órgão, empresa ou intermediador, como um banco.

E a segurança?
Há casos de roubos de bitcoins, geralmente associados a roubos de celulares e/ou computadores com as chaves privadas que controlam as carteiras de bitcoins ou hackers. Para se prevenir é possível investir em antivírus e equipamentos eletrônicos especializados para guardar bitcoins.

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