Recessão não interrompeu expansão bancária no País

Os serviços bancários já são usados por 90,4% da população. E a tecnologia é a maior aliada do setor

“Investimos R$ 18,6 bilhões em tecnologia no ano passado”, disse o presidente da Febraban“Investimos R$ 18,6 bilhões em tecnologia no ano passado”, disse o presidente da Febraban - Foto: Luiz Michelini/divulgação

Apesar de ter derrubado a atividade econômica brasileira, a recessão não interrompeu o projeto de expansão bancária no País em 2016. Ao contrário: o número de pessoas atendidas pelo sistema financeiro e a quantidade de transações realizadas por essa população bateram recordes no ano passado.

De acordo com o Banco Central (BC), a taxa de bancarização atingiu pela primeira vez na história 90,4% da população brasileira. E essa população realizou 65 bilhões de transações financeiras, um aumento de 9,3 bilhões em relação a 2015, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que atribui esta popularização dos serviços bancários à tecnologia.

Diretor setorial de tecnologia e automação bancária da Febraban, Gustavo Fosse reconheceu que o aumento da população economicamente ativa, puxado por fatores socioeconômicos, pesa no aumento da bancarização. Ele ressaltou, contudo, que as inovações tecnológicas também têm influenciado bastante este número, sobretudo o mobile banking, que permite a realização de operações financeiras em qualquer lugar através do celular. “O uso dos canais digitais trouxe uma grande facilidade para disponibilizar o serviço bancário em um país continental como o Brasil. E, agora, a penetração dos smartphones reforça isso”, argumentou, frisando que 57% das transações realizadas no País já acontecem por meio de canais digitais como o mobile e o internet banking.

“Os bancos já fazem parte do dia a dia do brasileiro, mas a tecnologia torna essa presença cada vez mais invisível e adaptada às preferências e conveniências da população, que hoje leva o banco no bolso”, reforçou o presidente da Febraban, Murilo Portugal, na abertura do Ciab, o maior congresso de inovação bancária da América Latina, que é promovido pela federação em São Paulo. No evento, Portugal ainda revelou que, cientes da importância da inovação para o seu desenvolvimento, os bancos brasileiros não reduziram o nível de investimentos em Tecnologia da Informação (TI) em 2016. “Investimos R$ 18,6 bilhões nesta área no ano passado, ficando no mesmo patamar do ano anterior, apesar de a economia estar em forte recessão”, ressaltou, contando que, com isso, a participação dos bancos no total de investimentos realizados em TI no Brasil passou de 13% para 14%. “Como outros investimentos caíram, nossa participação cresceu”, explicou Murilo Portugal.

Segundo a Febraban, este é o mesmo nível de investimentos realizado pelos entes governamentais brasileiros, que, até então, ocupavam o posto de maior investidores em inovação do País. “Isso mostra que os bancos estão na vanguarda da tecnologia”, comentou Gustavo Fosse, acrescentando que os 14% ainda superam a média mundial de investimentos em TI do setor bancário, que é de 13%. “E temos certeza que ainda vamos investir mais neste ano”, prometeu o presidente da Febraban.

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