Recife: 2º lugar no endividamento

Segundo estudo da Fecomércio-SP, 70% das famílias da Capital têm dívidas. É preciso atentar ao orçamento

Bruno Araújo, ministro das CidadesBruno Araújo, ministro das Cidades - Foto: Folha de Pernambuco

O recepcionista Rafael Souza fez compras em uma loja de roupas. Até aqui nada anormal para um programa de fim de semana. O que ele não contava era que ficaria desempregado e não conseguiria pagar a fatura do cartão. A dívida de R$ 400, agora, gira em torno de R$ 2,7 mil. “Tentei negociar, mas não baixaram o valor”, desabafa. 


Na mesma situação está o porteiro Carlos Travassos. Chefe de uma família de quatro pessoas, ele está se virando para conseguir equilibrar o salário com as despesas de casa, mas nem sempre o mês termina no azul e, aí, só resta recorrer ao empréstimo informal sob juros, a famosa (e ilegal) agiotagem. “Tenho fé que, este mês, eu consigo liquidar a minha dívida e, assim, me livrar desse empréstimo o quanto antes”, relata, confiante.

Os exemplos acima são apenas dois de um universo de 354.709 famílias do Recife que vivenciam na pele o endividamento. A constatação veio da divulgação da Radiografia do Crédito e do Endividamento das Famílias Brasileiras, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), e que coloca a Capital pernambucana no segundo lugar do ranking das capitais do Nordeste com famílias mais endividadas. São 70%, atrás de Natal, que tem 76%.
A análise contempla dados de 2013 ao primeiro semestre de 2016, com base em informações do Banco Central do Brasil, do IBGE e da CNC. Nela, consta que grande parte desse endividamento tem origem nos empréstimos informais. “Estar endividado não é algo anormal. Para uma economia girar, as pessoas precisam fazer dívidas. O problema é quando esse endividamento vira inadimplência, o que gera uma bola de neve impossível de sair”, afirma o economista e professor da cadeira de Cenários Econômicos da Faculdade dos Guararapes, Tiago Monteiro. Em sua análise, o grande problema é que as famílias não estão se endividando dentro da realidade do que se ganha, tendo que recorrer a recursos de terceiros para sanar a dívida. 

“Se recorrer ao empréstimo informal é a melhor alternativa para não ficar inadimplente, ele pode ser saudável se resultar em equilíbrio financeiro”, comenta o economista. Ele chama atenção para outra vertente dessa prática. “Quando a pessoa recorre a empréstimos informais, isso retrata uma situação que ela não tem crédito no mercado tradicional, o que pode ser justificado por uma eventual inadimplência”, ressalta Monteiro.
De acordo com ele, para evitar entrar nesse patamar, o ideal é que a família não comprometa mais de 60% do que ganha com uma dívida. “Se o endividamento ultrapassar esse percentual, a pessoa vai trabalhar apenas para pagar conta, ou seja, para sobreviver e não viver”, atesta.
Acertando as contas

Para alguns, esse aumento do endividamento é reflexo do atual momento econômico. No entanto, há quem seja contra. “Não se pode entregar a responsabilidade financeira de uma família ao cenário econômico de um País. Toda essa situação de endividamento é tão somente reflexo de um modelo cultural financeiro de cada família”, garante o educador financeiro da unidade recifense da Dsop, Arthur Lemos.

Ele afirma que para se chegar a uma situação financeira saudável, é preciso que o endividado aprenda a fazer um diagnóstico da situação atual. “O ideal é que em um prazo de 30 dias a pessoa registre tudo o que se gasta para saber exatamente para aonde vai o seu dinheiro e assim saber de que forma é possível negociar com os eventuais credores”, explica.
Lemos lembra que uma vez negociados as dívidas a pessoa tem um orçamento que valerá a pena seguir para evitar um superendividamento, que necessita de outras diretrizes específicas. “As pessoas precisam aprender a reconhecer o que é básico no momento em que estão endividadas e estudar a melhor maneira para sair dessa situação e não retornar ao mesmo patamar”, conclui.

 

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