Recife não acompanha crescimento do mercado de imóveis de luxo no Nordeste
Estudo aponta avanço de 85% no segmento em dois anos, com destaque para Fortaleza e Salvador
O mercado imobiliário de luxo e superluxo no Nordeste registrou um crescimento de 85% nos últimos dois anos, mas Recife não acompanhou essa tendência. De acordo com um estudo da Brain Inteligência Estratégica, encomendado pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-PE), a capital pernambucana enfrenta desafios que limitam a expansão desse segmento, ao contrário de cidades como Fortaleza e Salvador.
Os dados foram apresentados na noite desta quinta-feira (13), durante o primeiro Conexão Ademi de 2025, realizado no Vetro Ristrot, em Boa Viagem. No evento, foi revelado que, em 2024, o Nordeste contou com o lançamento de 1.143 unidades no segmento de luxo e superluxo, representando 3% das vendas na região e 25% do valor total das transações imobiliárias.
Rafael Simões, presidente da Ademi-PE, destacou o potencial inexplorado da capital pernambucana.
“Recife tem a maior renda per capta do Nordeste e um potencial muito grande para esse tipo de produto. Estamos falando de 25% do total do mercado imobiliário. Fundamental criar um cenário para estimular esse tipo de produto”, afirmou.
O dirigente apontou que a estagnação do mercado imobiliário de luxo na cidade se deve, em grande parte, a questões legislativas que restringem a construção de empreendimentos de alto padrão.
“O volume de metros quadrados permitido para construção e a viabilidade econômica da compra de terrenos são crucialmente diferentes, o que limita o desenvolvimento desse tipo de imóvel no Recife”, disse.
Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain Inteligência Estratégica, acrescentou que a falta de um segmento consolidado de alto padrão na cidade agrava a situação.
“Não há nem o substituto direto, que é o loteamento de alto padrão”, explicou.
Setor
Apesar dos desafios, especialistas apontam que Recife tem potencial para reverter esse cenário.
“No quesito segunda moradia, as praias de Carneiros e Muro Alto têm o metro quadrado mais caro do Nordeste. Então, existe uma renda aqui em Pernambuco”, destacou Diego Villar, CEO da Moura Dubeux. Ele também chamou atenção para o mercado de imóveis antigos na Avenida Boa Viagem, que segue aquecido.
A expectativa da Ademi-PE é que ajustes na legislação e novos investimentos possam impulsionar o setor.
“O desafio agora é estimular o surgimento de projetos que possam atender a essa demanda latente, transformando o Recife em um polo de investimentos imobiliários de luxo. A expectativa é que, com um cenário adequado, a cidade possa não apenas acompanhar, mas também superar suas concorrentes no Nordeste”, avaliou Rafael Simões.
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Mercado
Apesar das dificuldades no segmento de luxo, o mercado imobiliário do Recife como um todo teve desempenho expressivo em 2024, com 5.657 unidades lançadas e 5.346 comercializadas. Jaboatão dos Guararapes ficou em segundo lugar, com 2.043 unidades vendidas, seguido por Olinda e Cabo de Santo Agostinho. No bairro de Boa Viagem, 1.207 unidades foram comercializadas.
O programa Minha Casa Minha Vida teve papel determinante nesse resultado, respondendo por 89% das unidades lançadas na Região Metropolitana, um aumento de 14,1% em relação a 2023. Já os imóveis de outros padrões dominaram o mercado no Recife, com 59% das unidades lançadas, representando um crescimento de 36,6% na comparação com o ano anterior.
Para 2025, as projeções indicam estabilidade no setor de luxo.
“Nós podemos projetar para o segmento de baixa renda, no Minha Casa Minha Vida, uma variação entre 0% e 10%. Para o segmento de classe média, uma variação entre -5% até +5%. Já para o segmento de alto padrão, no mercado de luxo, uma estabilidade em relação ao ano passado, com previsão entre 0% e 5%”, estimou Fábio Tadeu Araújo.

