Recuperação depende da reforma da Previdência, diz presidente do Itaú

A medida que o tempo avança, é mais difícil estabelecer a coalizão de forças necessária no Congresso para mudar a constituição, afirma Bracher

Presidente do Itaú Unibanco Cândido BracherPresidente do Itaú Unibanco Cândido Bracher - Foto: Reprodução / Facebook

Cândido Bracher, presidente do Itaú Unibanco, diz que a recuperação da economia brasileira está ameaçada caso o próximo presidente da República não aprove uma reforma da Previdência.

"Temos tudo para um crescimento sustentável menos contas públicas em ordem", afirmou. Ele admite que não é um "assunto fácil para um palanque", mas aconselha os candidatos a falar mais do benefício do que do remédio. Bracher é um dos anfitriões do encontro do Fórum Econômico Mundial.

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Pergunta - A economia brasileira voltou a crescer depois de uma longa recessão. Essa recuperação é sustentável?


Cândido Bracher - Temos inúmeros fatores positivos que vão sustentar o crescimento. O primeiro é uma situação externa confortável, com déficit em conta corrente baixo, investimento direto estrangeiro expressivo e reservas que são quase 20% do PIB. Também temos uma inflação baixa. Os juros caíram bastante e podem cair mais. E temos uma capacidade ociosa de mão de obra acumulada na recessão que favorece o crescimento. Resumindo: temos tudo para um crescimento sustentável, menos contas públicas em ordem. Existe um desequilíbrio estrutural e crescente. Se a reforma da Previdência não for feita, a sustentabilidade do crescimento está ameaçada.

Se a reforma da Previdência não for aprovada qual será o impacto para a economia?


Bracher - A reforma da Previdência tem que ser aprovada no ano que vem -mais até por fatores políticos do que econômicos. O país ter mais um ano com déficit nominal [despesas menos receitas sem descontar a inflação] de 5% a 6% do PIB não é bom, mas não mata, especialmente se o PIB estiver crescendo. Mas não podemos deixar de aproveitar o primeiro ano de um governo recém eleito para fazer reformas estruturais. A medida que o tempo avança, é mais difícil estabelecer a coalizão de forças necessária no Congresso para mudar a constituição.

Que outras reformas o próximo governo deveria tentar aprovar?

Bracher - Temos ineficiências na arrecadação de impostos, logo uma reforma tributária é muito importante. Também seria desejável uma reforma processual do sistema judiciário e a própria recuperação judicial precisa ser ajustada.

Qual deveria ser o perfil do próximo presidente para conseguir aprovar as reformas?

Bracher - O principal elemento é ser popular. E isso é quase algo tautológico: se ele for eleito, será popular. Outro ponto é ter a consciência de que falta a estabilidade fiscal para o país crescer. Claro que não é um assunto fácil para um palanque. Portanto, é importante falar mais do benefício que do remédio. É preciso mostrar que a sustentabilidade do crescimento depende disso.

Os países desenvolvidos aparecem como o novo motor do crescimento global. Como isso afeta o Brasil e a região?

Bracher - O mundo deve crescer 4% este ano. Os países desenvolvidos devem avançar mais que os emergentes, com exceção da China. Essa situação vai perdurar? Tem gente que diz que a cultura do compartilhamento "" por exemplo, Airbnb e Uber - vai trazer um aproveitamento melhor dos recursos, o que permitiria elevar o consumo sem inflação. Se o crescimento do mundo for movido especialmente pela inovação tecnológica, o Brasil tem que se preocupar muito com educação para não irmos a reboque.

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