Recuperação do comércio no final do ano puxa melhora do emprego

Das 785 vagas criadas no período, quase 70% estão associadas ao movimento de final de ano

Centro do Recife durante as compras de fim de anoCentro do Recife durante as compras de fim de ano - Foto: Rafael Furtado/ Folha de Pernambuco

A perspectiva de melhora nas vendas de Natal e a preparação para as férias de verão elevaram as contratações neste final de ano e puxaram a redução do desemprego, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (27) da PNAD do IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No trimestre encerrado em agosto para o trimestre encerrado em novembro, a taxa de desemprego caiu de 11,8% para 11,2%. O resultado é levemente menor que o projetado pelo mercado. A estimativa dos analistas consultados pela agência Bloomberg era uma taxa de 11,4%. Há um ano, a taxa era de 11,6%. Das 785 vagas criadas no período, quase 70% estão associadas ao movimento de final de ano.

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A pesquisa mostra que 338 mil postos foram gerados pelo comércio para atender duas datas importantes no calendário do setor, a Black Friday, em novembro, e o Natal, em dezembro. Outras 204 mil vagas foram abertas nos setores de alojamento e alimentação, segmento de hotéis, bares e restaurantes que se organiza para atender as férias de verão.

De maneira mais estrutural, 180 mil vagas foram abertas na construção, setor que esboça recuperação mais consistente desde o início do segundo semestre do ano.
Na avaliação dos técnicos do IBGE, a volta das contratação de final de ano, ainda que em sua maioria seja de vagas temporárias, próprias do período, é um elemento positivo na recuperação da economia como um todo e do emprego em particular.

A volta da sazonalidade indica especialmente que o comércio está reagindo. Em 2015 e 2016, apontam os dados do IBGE, a economia não tinha forças para gerar nem vagas temporárias no final do ano. Ainda assim, 11,9 milhões de pessoas continuam sem ocupação. O número indica queda de 5,6% em relação ao trimestre anterior, maior recuo na comparação trimestral desde 2013. Em comparação ao mesmo período do ano passado, a redução foi de 2,5%.

Já o número de trabalhadores por conta própria chegou a 24,6 milhões e cresceu 1,2% frente ao trimestre anterior e 3,6% em relação ao mesmo período de 2018. É o maior número desde janeiro de 2012, início da série histórica. O número de empregados com carteira assinada chegou a 33,4 milhões e cresceu 1,1% em relação ao trimestre anterior (378 mil pessoas) e 1,6% em comparação com o ano passado. Das 378.000 pessoas que tiveram a carteira assinada no último trimestre, 240.000 trabalham no comércio. Existe a possibilidade de que esse aumento no comércio esteja ligado a contratações temporárias de fim de ano.

A população ocupada também bateu recorde, atingindo 94,4 milhões. Houve um aumento de 0,8% em relação ao trimestre anterior e 1,6% em relação ao mesmo período de 2018. No ano, o aumento da população ocupada foi por conta, principalmente, da indústria (2,7%) e do setor de transporte, armazenagem e correio (5,3%). A agricultura foi o único setor que não contribuiu para a expansão da ocupação, com uma queda de 1,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

A população ocupada informal expandiu 0,2% em relação ao trimestre anterior, com a entrada de 71 mil pessoas na informalidade. Ao mesmo tempo, também na comparação trimestral, 785.000 pessoas conseguiram um emprego, formal ou informal.

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