ECONOMIA

Redução da gasolina traz alívio para inflação, mas reoneração do combustível em julho vai pesar

Queda no preço médio do combustível vendido nas refinarias, anunciada pela Petrobras nesta quinta, não será suficiente para conter impacto da volta dos tributos federais em julho

Valor da gasolina foi reajustadoValor da gasolina foi reajustado - Foto: Arthur de Souza

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A redução de 4,65% sobre o preço da gasolina nas refinarias, anunciada pela Petrobras, concede pouco alívio à inflação ao consumidor nos próximos meses. Isso porque o atual corte divulgado pela estatal, apesar de conter o impacto da nova alíquota de ICMS vigente desde o início de junho, não será suficiente para evitar totalmente o peso do retorno dos tributos federais (Pis/Cofins e Cide), a partir do dia 1º de julho.

Nesse sentido, um alívio maior ao consumidor deverá ocorrer caso a estatal anuncie mais um corte no preço do litro da gasolina na refinaria. Já há quem coloque isso na conta e estime a inflação encerrando o ano em 4,8% - mais próximo do teto da meta de inflação estipulada pelo Banco Central, de 4,75% para 2023. Mas não é o cenário geral.

André Braz, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da FGV, calcula que a redução de 4,3% no preço da gasolina na refinaria deve se traduzir em uma queda de 1,5% na bomba nos postos. Mas seu impacto será limitado sobre o preço total do combustível.

Ele lembra que, como essa queda só vale a partir do dia 16 de junho, a redução só será captada pelo IPCA fechado de junho. E, considerando que o repasse ao consumidor leva em torno de 30 dias, o efeito da redução deverá se dividir entre os meses de junho e julho, com contribuição de -0,04 ponto porcentual em cada mês. Mas a queda não será expressiva ao consumidor devido à volta integral dos impostos federais em julho:

"Acaba que esse efeito não vai ficar tão transparente ao consumidor na bomba. Um efeito fica por dentro do outro", explica Braz, que prevê inflação de 5,3% este ano.

Petrobras precisaria cortar preço da gasolina em 10%

Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Rena, estima que o corte na refinaria deverá promover um alívio de 0,09 ponto percentual sobre a inflação no ano. A redução, somada ao efeito do reajuste anterior concedido em maio, deverá levar a uma queda de 2% da gasolina em junho e anular o efeito da mudança do ICMS, que passou a ter um valor fixo no território nacional a partir do dia 1º de junho.

Por outro lado, o corte é incapaz de anular o efeito do retorno dos tributos federais, que passam a custar R$ 0,80 centavos por litro de gasolina em julho. Segundo Andréa, o efeito dos tributos é amortecido em 30%. A economista, contudo, já coloca na conta que a Petrobras deverá realizar mais um corte adiante para terminar de amortecer o peso dos tributos:

"Estimamos mais um corte em torno de 10% na refinaria. Para nós o cenário não muda, apenas adianta um pouco. Projetamos inflação de 4,8% neste ano", diz Andréa.

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