Refinaria Abreu e Lima contribui com déficit da Petrobras

Empreendimento situado no Complexo de Suape sofreu uma desvalorização de R$ 1,5 bilhão em 2017

Refinaria Abreu e LimaRefinaria Abreu e Lima - Foto: Divulgação

A Petrobras reduziu o seu déficit, apesar de enfrentar o quarto ano seguido de perdas, em 2017. A empresa encerrou o ano passado com um resultado negativo de R$ 446 milhões, prejuízo bem menor que os R$ 14,8 bilhões registrados em 2016. E afirma que este número poderia ter sido positivo caso o encerramento da ação coletiva movida por investidores dos Estados Unidos não tivesse custado R$ 11,1 bilhões. Mas a companhia também poderia ter baixado essas perdas investindo em Pernambuco. É que a Refinaria Abreu e Lima (Rnest) sofreu uma desvalorização de R$ 1,5 bilhão em 2017, puxando o resultado da companhia para baixo, devido à paralisação das obras do seu segundo trem de refino.

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De acordo com balanço divulgado pela Petrobras, a unidade pernambucana registrou a maior perda por desvalorização de todas as unidades geradoras de caixa da companhia. O documento mostra que a Petrobras sofreu baixa contábil de R$ 2,7 bilhões em 2017 por conta da desvalorização de seus ativos. E a Rnest responde por R$ 1,5 bilhão desse montante. Afinal, tinha valor contábil de R$ 5,6 bilhões, mas, ao fim do ano, só conseguiria recuperar R$ 4,1 bilhões desse capital. “Avaliações dos ativos de refino do 2º Trem da Rnest resultaram no reconhecimento de perdas por desvalorização. [...] Essas perdas decorreram, principalmente: i) maior custo de aquisição de matéria-prima e ii) redução da margem de refino, previstos no PNG (Plano de Negócios e Gestão) 2018-2022”, reconhece o demonstrativo financeiro da Petrobras, que chama as perdas de ‘impairment’.

“Na demonstração de resultados, as empresas precisam indicar o valor contábil, de compra, dos seus ativos e o valor que seria recuperado caso esses ativos fossem vendidos. Isso é o impairment, uma previsão, que não significa perda real porque a Refinaria não foi vendida de fato, mas que contribui negativamente para o balanço da empresa”, esclareceu o diretor do Sindicato dos Contabilistas de Pernambuco, Flavio Cezáreo.

Mesmo assim, ainda não há previsão para a retomada das obras do segundo trem da Rnest, cuja construção começou há dez anos. “Em 2014, a companhia optou por postergar o projeto por um extenso período de tempo”, diz o balanço. À Folha de Pernambuco, a Petrobras alegou que o orçamento da obra supera seus limites de investimento. Por isso, deve ser tocado por um parceiro privado. Esse parceiro, no entanto, está sendo procurado, sem sucesso, há mais de um ano.

Balanço
Apesar da avaliação negativa da Rnest, a Petrobras afirma que as reavaliações dos seus ativos, o chamado impairment, representam o fator que mais contribuiu para a melhoria do lucro operacional. É que, no geral, essas perdas ficaram R$ 16,4 bilhões menores, devido a fatores como a recuperação dos campos de produção de óleo e gás, que haviam apresentado perda de R$ 7,3 bilhões em 2016, mas geraram lucro de R$ 2,8 bilhões em 2017. O cálculo ainda desconsiderou a provisão de R$ 2 bilhões da Petrobras no Complexo Petroquímico de Suape em 2016, visto que este empreendimento está sendo vendido para a mexicana Alpek.

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