Ter, 11 de Agosto

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Energia

Refino de minerais críticos avança lentamente fora da China, afirma presidente da Vale

Vale vê oportunidade para o Brasil na transição energética, mas alerta que domínio chinês no refino dificulta novos investimentos

Vale aponta que liderança chinesa no refino cria barreiras para novos investimentos em minerais estratégicos.Vale aponta que liderança chinesa no refino cria barreiras para novos investimentos em minerais estratégicos. - Foto: Wikimedia Commons/Reprodução e Canva/Reprodução

O avanço de projetos ligados a minerais críticos ainda não tem se traduzido no mesmo ritmo de investimentos, sobretudo por causa do gargalo no refino, disse nesta terça-feira (4), o presidente da Vale, Gustavo Pimenta.

Segundo ele, é possível dividir a mineração em dois "mundos", o da mina, em que há vários projetos em andamento, ainda que com prazos mais longos de desenvolvimento, e o do downstream, voltado ao refino, etapa em que a China domina a maior parte da cadeia global.

Pimenta explicou que o refino tem avançado mais lentamente fora da China porque é uma atividade mais complexa e com margens mais apertadas do que a extração.

Ele avalia que o país asiático atingiu um grau de eficiência difícil de replicar por concorrentes, o que torna complicado levantar projetos competitivos fora da China sem mecanismos comerciais adicionais

Na sua visão, por este motivo o debate com governos - americano, brasileiro e europeu - tem se concentrado em como criar alternativas de oferta e reduzir dependências em minerais críticos.

"O que tem sido discutido é quase que uma bifurcação do mercado, onde você tem, por exemplo, um cliente final, que pode ser um país X, que não quer depender de um fornecedor específico, e ele cria um mecanismo comercial onde ele fala o seguinte, eu vou comprar aquele volume do Brasil, de um fornecedor brasileiro e eu vou dar uma condição de preço, um floor (piso) de preço, onde eu sempre vou te pagar pelo menos isso", disse Pimenta após painel em evento da S&P Global no Rio de Janeiro.

Segundo ele, desta maneira o desenvolvedor se sente confortável em colocar uma unidade, "porque ele está protegido, coisa que a commodity nunca te protege, cada dia é um preço, você dá uma proteção e você cria, então, um incentivo para o desenvolvimento". "Esse tipo de modelo, temos começado a ver esse debate avançando mais, vamos ver se ele vai ser no nível de escala suficiente para atender a demanda", afirmou.

O presidente da Vale também avaliou que a demanda por minerais críticos cresce com força, impulsionada por tecnologias da nova economia, como a eletrificação, e que muitos países não têm oferta interna, como os Estados Unidos. Pimenta informou que o governo brasileiro tem trabalhado nesse sentido. "

O governo tem trabalhado, temos ouvido, tem participado de alguns debates. No sentido de colocar uma política que possa atender a essas necessidades e o Brasil possa se posicionar como um ofertante nesse mercado", destacou.

Sobre o papel da Vale, Pimenta afirmou que a companhia seguirá focada no upstream, buscando fornecer minério e concentrados de forma competitiva, e que não vê alinhamento de conhecimento para avançar diretamente no downstream.

"O meu trabalho é ser o melhor operador de upstream possível para poder dar o minério, seja concentrado, seja um produto estabelecido. No preço e na forma mais competitiva possível. E é isso que nós sabemos fazer", disse Pimenta.

Mega hubs
A estratégia, segundo Pimenta, é atuar como facilitadora de cadeias eficientes por meio de parcerias, e citou o conceito de "mega hubs" para produzir insumos como HBI (Hot Briquetted Iron ou ferro-esponja), com apoio de parceiros e, potencialmente, consumidores finais.

De acordo com o executivo, o desenvolvimento de uma solução de HBI a partir de gás natural no Oriente Médio, onde a empresa já tem operação em Omã, continua em avaliação, mas desacelerou por causa da guerra.

Ainda assim, ressaltou, a região é estruturalmente atrativa pelo gás barato e pela logística, e a discussão na Vale também inclui alternativas como hidrogênio, com possibilidade de o Brasil entrar nessa agenda.

Para ele, apesar de oscilações conjunturais, a descarbonização "é um caminho sem volta" e representa uma oportunidade estratégica para a Vale, que se beneficia por produzir minério de alto teor.

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