Retardatários lotam as lojas do Centro

Muitos recifenses esperaram a segunda parcela do 13º salário para ir às compras de Natal

Compras de última horaCompras de última hora - Foto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco

Nos pés, o passo apressado pelas ruas do Centro do Recife. Nas mãos, sacolas cheias de presentes e artigos decorativos para casa. Ao que parece, o espírito natalino chegou aos corações e bolsos dos consumidores. Mesmo com essa cena tradicional, este ano a procura foi diferente. Por causa da insegurança econômica, os recifenses esperaram o pagamento da segunda parcela do 13º salário - feito até a terça-feira passada (20) - e foram às compras na sexta-feira (23).

Com a loja rodeada de árvores verde e vermelha e diademas amarelos com “2017” em destaque, a gerente Roseane Cavalcanti afirma que seu estoque já está quase no fim e a maioria das suas vendas foram feitas nestes últimos dias. “O que está saindo mais agora é pisca-pisca e outras decorações”, conta. Quando questionada sobre a comparação deste ano com 2015, ela disparou: “Mesmo com a crise, tudo igual”.

O mesmo não pensa o vendedor Leonildo da Silva. Há cinco anos, em toda época natalina, ele leva sua carroça às ruas para vender camisas (R$ 10) e gorros de Papai Noel (R$ 5). “O movimento está mais ou menos. Achei o ano passado melhor, tinha mais gente”, entregou.

Na opinião do professor de economia da Faculdade dos Guararapes Roberto Ferreira, os comerciantes - compreendendo a situação financeira que a grande maioria da população se encontra - deveriam tentar diminuir sua margem de lucro para atrair mais clientes.

Foi o que a consumidora e operadora de telemarketing Priscila Carneiro fez. Ela conta que pesquisou produtos mais baratos na hora de escolher o presente do amigo secreto. 

Entretanto, Priscila ressalta que não viu muita diferença nos preços deste ano em relação aos do ano passado. “Estou levando só lembrancinhas”, confessou.

Professor Ferreira concorda com a atitude e pontua que a postura a ser adotada pelos consumidores é de, além de pagar o quanto antes as dívidas, não se comprometer ainda mais com cartões de crédito. “Evitar presentes caros é uma saída. Principalmente se for infantil, pois sabemos que logo a criança enjoa dos brinquedos”, explica. A técnica de enfermagem Monique Marcolina fez isso. Embora não tenha filhos, ela deixou para ir às compras ontem para poder comprar um presente para seu sobrinho. “Os preços estão os mesmos do ano passado. Mas vou dar uma boa olhada antes de levar”, disse.

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