Safra da cana pode ser maior que 2017

Segundo o Sindaçúcar-PE, estimativa deve atingir 46 milhões de toneladas e contraria previsão divulgada pelo IBGE

Norte-Nordeste terá resultado melhor que o Centro-SulNorte-Nordeste terá resultado melhor que o Centro-Sul - Foto: Divulgação

A safra da cana de açúcar de 2018/2019 no Norte-Nordeste deverá ser entre 10 e 12% maior que a do ano passado, atingindo o total de 46 milhões de toneladas. A informação do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) contraria a estimativa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que por meio do seu Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) estimou que esse tipo de lavoura deverá ter alta de 0,5% em relação a safra do ano anterior.

Na análise do presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha, o IBGE leva muito em consideração a região que detém a maior produção nacional da cana - a Centro-Sul, que deverá de fato ter um desempenho inferior este ano. “São duas regiões distintas, o Centro-Sul, que responde por mais de 85% da produção nacional, onde o clima atualmente seco tem diminuído a produtividade agrícola, o que resultará numa produção de 560 milhões de toneladas de cana”, revela Cunha, detalhando que o perfil da safra nacional será 60% destinado ao etanol e menos de 40% ao açúcar.

De acordo com ele, a safra do Norte-Nordeste, diferentemente daquela do Centro Sul, deve atingir o crescimento resultante de cerca de 46 milhões de toneladas de cana, em torno de 10 a 12% maior que a safra do que a safra de 2017/2018. “Ou seja, Norte-Nordeste com mais normalidade este ano, após cinco anos desfavoráveis, e o Centro-Sul, apresentando queda de produtividade agrícola, face ao clima seco”, comenta o presidente do sindicato dos produtores de Pernambuco.

Ainda segundo o levantamento do instituto de pesquisa, outras lavouras devem ter um movimento atípico este ano, a exemplo da uva, que segundo o LSPA deve ter uma produção nacional 17,5% menor que a de 2017. “Não devemos chegar a essa queda tão drástica como estimado pelo IBGE, no entanto, a realidade da região do Vale do São Francisco deve fechar 2018 em perto desse número, com queda de cerca de 15%, reflexo da continuidade do Dia do Rio que dificultou que os agricultores pudessem ampliar sua área de produção por conta desses dias sem poder captar água para irrigação”, desabafa o presidente da Associação dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valexport), José Guarberto. Segundo ele, embora a Agência Nacional de Águas (ANA) tenha reduzido para duas, ao invés de quatro quartas por mês, é impossível uma melhoria de estimativa a essa altura.

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