Sanhaçu exporta para Viena

Cachaça orgânica ficou entre os seis rótulos escolhidos para serem apresentados no Viena Rum Festival

Com investimento em tecnologia, empresa amplia produçãoCom investimento em tecnologia, empresa amplia produção - Foto: André Nery

A cidade onde ele vive, hoje, tem 20 mil habitantes e nenhum sinal de trânsito. Não lembra em nada o ambiente da indústria siderúrgica onde iniciou a carreira como engenheiro mecânico. Não à toa, esse tempo de trabalho "pesadíssimo", como ele mesmo define, durou dois anos. Ao decidir deixar o Recife, pegou a estrada em definitivo rumo à pequena Chã Grande, a 82 quilômetros do Recife. E fez, assim, a migração da fábrica de aço para a de cachaça familiar, que ainda nem existia quando chegou por lá. Hoje, produz 20 mil litros por ano, dos quais uma parte - um pallet - foi exportada, pela primeira vez, no último dia 17. O destino: Viena, na Áustria. Oto Barreto tratou de comemorar. Como? Bebendo sua cachaça, a Sanhaçu.

O brinde se dá diariamente e é compartilhado com o patriarca, Moacir Eustáquio, 72 anos. "Claro, meia dose!", adverte Oto. "Faz muito bem a saúde", destaca. E apresenta orgulhoso um vídeo de Drauzio Varella, o qual corrobora sua tese. Moacir foi o primeiro a "fugir" para Chã Grande. Ele queria aproveitar a aposentadoria no campo. Além da produção da cachaça de alambique, a Sanhaçu, com 10 anos no mercado, tem como segundo produto o turismo pedagógico. "Nós temos sete funcionários e fazemos 20 mil litros de cachaça por ano e toda cana é própria", relatou Oto, durante palestra na qual apresentou o case da Sanhaçu no 9º Encontro Nacional de Editores, Colunistas, Repórteres e Blogueiros, realizado em Salvador (BA).

Em 2008, quando entrou no mercado, a Sanhaçu produziu três mil litros de cachaça. Na última safra, foram 20 mil litros e a ideia é chegar a 40 mil litros até o final de 2021. A produção precisou ser ampliada quando Oto decidiu que queria exportar.

Detalhe: como eles são responsáveis por toda cadeia produtiva, do plantio da cana até o engarrafamento, e são os únicos produtores de cana orgânica em Pernambuco, mais matéria-prima exigiria mais terra. Daí, outro dilema: não havia dinheiro para isso. O jeito foi investir em tecnologia para produzir mais.

A solução de Oto envolveu a participação em três projetos da Apex-Brasil: o Peiex, o Design Export e o ICV Global. A empresa apostou no design e, por fim, trabalhou o produto da porta para fora.

"A gente não estava tão quebrado. A gente tinha um pouquinho de dinheiro e foi importante entrar no Design Export, porque ele não banca 100%, mas bancou 86% do meu projeto de design para exportação. Eu nunca teria dinheiro do meu bolso para bancar", relata Oto.

Após mil ligações, a cotação: cada embalagem, sairia por R$ 12, para uma quantidade mínima de 10 mil unidades. Mais uma vez, não havia dinheiro. O networking do Design Export, segundo ele, viabilizou um custo, na FacForm, de R$ 10 por caixa, com tiragem inicial de mil unidades. "Eu gastei R$ 10 mil", conta.

O último passo foi mediado pelo ICV Global, responsável por viabilizar a parceria com a Amburana, distribuidora de Campinas (SP). A empresa precisava escolher seis marcas entre 40 mil produtores de cachaça do Brasil para levar para Viena. Eles já trabalham com 300 rótulos. Resultado: A Sanhaçu ficou entre os eleitos e vai estar presente no Viena Rum Festival, no dia 30 de setembro. Oto, agora, está de olho na vizinha Alemanha, maior mercado de cachaça do mundo.

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