Se Trump está beneficiando a indústria dele, Bolsonaro tem que fazer o mesmo, diz presidente da Azul

"Não podemos ter desvantagem mundialmente só porque estamos no Brasil", disse o presidente da Azul

Presidente Jair BolsonaroPresidente Jair Bolsonaro - Foto: Flickr / Palácio do Planalto

O presidente da Azul Linhas Aéreas, John Rodgerson, disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem que dar para as empresas brasileiras o mesmo benefício que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está dando para minimizar as perdas causadas pela quarentena imposta para contar o novo coronavírus.

"Não podemos ter desvantagem mundialmente só porque estamos no Brasil", disse ele durante uma live feita pela Eleven Financial nesta quarta-feira (15).

Rodgerson se referia aos novos voos para Nova York que a empresa brasileira pretende começar a operar quando o setor voltar ao normal. "Como vamos concorrer com a American Airlines?", questionou.

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Segundo ele, os problemas pelos quais a empresa tem passado agora são frutos de uma crise global.

"Entramos nessa crise com uma das empresas mais rentáveis do mundo. Esse não é um problema de gestão. Temos que lembrar que a Azul voa para 50 cidades que nossos concorrentes nem voam. Se a Azul não for saudável, serão milhares de desempregados", disse ele.

Rodgerson, no entanto, diz que é preciso dar crédito ao governo. "Ninguém sabe onde isso [a crise com o coronavírus] vai parar. O jogo está sempre mudando", afirmou.

O executivo disse que a companhia está em negociação com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para conseguir benefícios e evitar que a empresa qubre. "É uma negociação. Não temos uma proposta formal ainda. Eles querem entender melhor nosso negócio", disse.

Rodgerson também comentou sobre a redução da participação do fundador David Neeleman na empresa. Na última terça-feira (14) a empresa anunciou que o empresário se desfez de parte de suas ações preferenciais (sem direito a voto).

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Neeleman manteve o controle da Azul, já que segue como detentor da de 67% das ações ordinárias (com direito a voto) da companhia.

No total, ele se desfez de 47% de sua posição na aérea e reduziu sua participação no capital da companhia de 5,8% para 3,06%. Neeleman é fundador da Azul e acionista também das aéreas TAP (com quem a empresa brasileira tem uma joint venture) e Breeze.

"David é uma pessoa de aviação. Ninguém sabia que o mundo ia parar por dois meses. É uma coisa do privado, mas é melhor só falar a verdade. É triste, mas ninguém está chorando por David e ele não perdeu o controle da empresa."

A operação se deu porque o investidor não teria conseguido quitar um empréstimo pessoal de US$ 30 milhões (R$ 154,8 milhões no câmbio atual) que tinha como garantia ações da companhia aérea.

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