Seca deve elevar as tarifas de energia

Reservatórios do Nordeste estão operando com 17% da capacidade por causa dos seis anos de estiagem

O efeito estiagem tem afetado os reservatórios das usinas hidrelétricasO efeito estiagem tem afetado os reservatórios das usinas hidrelétricas - Foto: Flávio Japa

 

Após seis anos consecutivos de seca, o rastro do flagelo deixado nas inúmeras cidades do Nordeste também impôs uma dura realidade ao setor elétrico do País. Um estudo realizado pelo Grupo Safira Energia, uma das principais consultorias em análises e inteligência do segmento energético no Brasil, revela que o efeito estiagem tem afetado os reservatórios das usinas hidrelétricas da Região, que atingiram a marca de 17%, de acordo com dados do Operador Nacional do Sistema (ONS).

Para atender a demanda e preencher esse déficit, tornou-se constante o intercâmbio de carga, em média, de 1,5 mil MWmed por dia, proveniente das bacias das regiões Sudeste e Sul. Se esse cenário permanecer em 2017, é possível que o rebatimento nas tarifas deste ano seja maior que o esperado pelo mercado.

O analista de mercado da consultoria, Lucas Rodrigues, explica que o estudo mostra o cenário atual como resultado do agravamento da seca, iniciada em meados de 2013. “Vemos hoje na região a piora nas afluências e o menor volume de armazenamento, se comparado a 2014”, diz.

A possibilidade de melhora da geração eólica e do consumo continuar estável garante uma transferência de energia reduzida, equilibrando os valores entre os submercados. “Devido ao período úmido se intensificar no final do ano, é esperado que este mês os reservatórios da região comecem a responder, apontando uma recuperação e sinalizando uma perspectiva positiva para março e abril”, explica.

Um alento é que o Nordeste vem se caracterizando como um importante polo de usinas eólicas e solares, em função de suas características geográficas. No entanto, o sistema ainda é altamente dependente das fontes hidráulica e térmica, que encarecem o custo com a operacionalização do sistema.

De acordo com o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), de janeiro a setembro de 2016, foram adicionados 2,4 Gigawatts (GW) de capacidade instalada de energia eólica, entretanto, na visão do especialista, a potência instalada para as fontes renováveis ainda é baixa, 13 GW - considerando eólicas, pequenas centrais hidrelétricas e fotovoltaicas, com a geração solar correspondendo a pouco mais de 0,02% da capacidade nacional.

De acordo com o especialista do setor elétrico, José Antônio Feijó, o fato de a economia não ter respondido positivamente contribuiu para que não houvesse apagão. “O rio São Francisco está passando por uma situação difícil. As cabeceiras registraram recentemente vquase 2 mil metros cúbicos por segundo chegando por Sobradinho, o que dá um sinal de alívio. Teve épocas em que chegava pouco mais de 400 metros cúbicos. Ou seja, já existe uma resposta. Porém, não se sabe se esse será o quadro deste ano. Continuamos dependendo de São Pedro”, avalia.

Na visão do sócio da Prime Energy, Mateus Tolentino, informações meteorológicas dão conta de que não teremos uma recuperação dos níveis este ano. “O que dificulta a transição dos que pensam em ir para o mercado livre, porque, a partir do momento em que a seca se acentua, o custo do PLD (que regula o preço na energia naquele mercado) no Nordeste aumenta. Ou seja, passará a não ser interessante ser um cliente livre”, comenta. Em tese, o megawatt nesse mercado é menor que o oferecido pela distribuidora de energia de cada estado. Somente os clientes de alta tensão podem ir para o mercado livre.

 

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