Setor automotivo espera incentivos e infraestrutura no País
Hoje, existem 150 eletropostos em operação no Brasil. No Recife, o motorista consegue encontrar um ponto de recarga em Boa Viagem
Os esforços do setor automotivo para uma produção de veículos mais econômicos e sustentáveis já estão fazendo efeito no mercado. Apenas em 2017, foram comercializados para o Brasil cerca de 3.500 carros, entre híbridos e 100% elétricos. No entanto, iniciativas têm esbarrado em entraves que podem diminuir o ritmo dos avanços no setor. Especialistas e montadoras apontam dificuldades por falta de incentivos, de políticas públicas e de infraestrutura no País.
Segundo o diretor-geral da Electric Mobility Brasil, Eduardo Sousa, o segmento está em crescimento no País, mas é preciso solucionar os problemas. “O primeiro entrave é que não existe nenhuma linha de financiamento ou fundos do governo para investir na infraestrutura. E o segundo é a indefinição da cobrança em relação à recarga nos pontos de abastecimento”, apontou Sousa, ao complementar que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai apresentar até junho conclusões de estudos sobre venda da energia para abastecer os carros elétricos. “A partir desse processo, se o Governo definir como será cobrada essa energia, o setor privado vai sentir segurança para investir e o mercado se tornará mais competitivo”, disse Sousa.
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Para os veículos híbridos plug-in e os elétricos, que precisam reabastecer na tomada, a necessidade da infraestrutura para instalação dos pontos de recarga é fundamental. Hoje, existem 150 eletropostos em operação no Brasil. No Recife, o motorista consegue encontrar um ponto de recarga em Boa Viagem, após a pracinha do bairro.
“No Brasil, a maioria desses pontos são de empresas privadas e estão localizados em rodovias, shoppings e condomínios residenciais e comerciais, que cedem tomadas elétricas”, disse Sousa, ao complementar que os eletropostos estão concentrados no Sudeste, sobretudo em São Paulo. Em maio, será inaugurado um corredor com pontos de carregadores na Via Dutra, que liga São Paulo ao Rio. Em Fortaleza, foi criado um sistema de carros elétricos compartilhados. Desenvolvido pela prefeitura e pela Enel, o projeto conta com 20 carros e 12 estações de recarga.
O presidente da ABVE, Ricardo Guggisberg, adianta que existem fatores a serem vencidos: custos elevados e autonomia dos veículos. “O pleito do mercado é para reduzir o IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados] do carro elétrico de 25% para 7% e do híbrido de 13% para 7%. E também é importante ampliar a infraestrutura de abastecimento, já que os elétricos têm limite para serem carregados”, defendeu ele.
Para isso, o setor aposta no programa federal Rota 2030, que definirá metas para a indústria automotiva, concedendo créditos tributários. “Para expandir, o segmento precisa de infraestrutura e investimento, e estamos no caminho”, destacou o presidente da AEA, Edson Orikassa.

