Setor de serviços no foco do BC

São itens que, segundo levantamento do Banco Central, sofrem mais influência do nível de atividade (no caso, da recessão) e representam dois terços dos serviços monitorados no cálculo da inflação.

Governador durante balanço da Operação ProntidãoGovernador durante balanço da Operação Prontidão - Foto: Wagner Ramos/SEI

 

Todos os olhos do mercado financeiro se voltaram, desde a última quarta-feira, para o comportamento de preços como cabeleireiro, aluguel residencial, condomínio e refeições fora de casa.

São itens que, segundo levantamento do Banco Central, sofrem mais influência do nível de atividade (no caso, da recessão) e representam dois terços dos serviços monitorados no cálculo da inflação.

Na última quarta, ao anunciar o primeiro corte de juros em quatro anos, para 14% ao ano, os diretores do BC indicaram preocupação com a resistência de queda dos preços desses serviços.

Apesar da profunda recessão, eles pararam de cair mais recentemente, dificultando a baixa da inflação, hoje em 8,48% ao ano.

O alerta colocou em dúvida o futuro da taxa de juros entre investidores e analistas -que tentam antecipar as decisões do BC para lucrar.

É consenso no mercado a opinião de que o BC continuará a reduzir os juros na próxima reunião, em novembro. Mas agora muitos preveem que o corte pode ser mais brando do que era esperado.

Isso provocou movimentação no mercado nos últimos dois dias, com os investidores calibrando suas apostas. A redução de 0,5 ponto percentual na taxa em novembro perdeu fôlego e ganhou força a aposta de corte de 0,25 ponto.

O BC mostrou-se mais conservador do que se esperava, dizem analistas.

Por força da recessão, a massa de rendimentos caiu 3% em agosto de 2016, ante o mesmo mês de 2015. A inflação dos serviços suscetíveis à recessão recuou de 9,7% em outubro de 2015 para 6,9% em setembro deste ano.

Em setembro, porém, em vez de seguir em queda, eles subiram 0,4 ponto percentual. Na prévia deste mês, divulgada ontem, houve nova oscilação para cima.

Luis Otávio Leal, do banco ABC Brasil, afirma, porém, que a tendência é de desaceleração e vê corte de 0,50 na taxa.

 

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