economia

Siderúrgicas dizem que possibilidade de faltar aço 'é zero'

O setor quer evitar medidas do governo para facilitar as importações de produtos siderúrgicos

AçoAço - Foto: Pixabay

 As siderúrgicas brasileiras dizem já ter atingido uma capacidade de produção superior à registrada antes da pandemia e rechaçam a possibilidade de desabastecimento do insumo, que vem sendo apontada pelo setor de construção como um dos gargalos da retomada.

O setor quer evitar medidas do governo para facilitar as importações de produtos siderúrgicos, a exemplo do que já ocorreu com produtos alimentícios, que também enfrentaram dificuldades na oferta durante o ano.

"É zero a possibilidade de desabastecimento de aço. A prioridade absoluta do setor é abastecer o mercado interno", afirmou o presidente do IABr (Instituto Aço Brasil), Marco Polo de Melo Lopes, em entrevista nesta sexta (27).

A entrevista foi concedida antes de reunião com o presidente Jair Bolsonaro e ministros Walter Braga Netto (Casa Civil), Paulo Guedes (Economia) e Bento Albuquerque (Minas e Energia), em que o setor quer tentar evitar a facilitação das importações.

Melo Lopes defendeu que a produção atingiu 2,78 milhões de toneladas em outubro, superior aos 2,74 milhões de fevereiro. As vendas no mercado interno, de 1,894 milhão de toneladas, também é superior às do período pré-pandemia.

"A situação caminha para voltar à normalidade, tanto em aços planos [mais usados pelas indústrias automotiva e de eletrodomésticos] quanto em aços longos [usado pela construção civil]", afirmou o vice-presidente da Gerdau, Marcos Faraco, que preside do conselho diretor do IABr.

O instituto alega que as dificuldades de abastecimento após o fim do período mais agudo da crise foram conjunturais, refletindo um crescimento da demanda em um momento de estoques baixos na cadeia de suprimento.

Em abril, o setor produziu 1,95 milhão de toneladas, 29% a menos do que em fevereiro, último mês antes da pandemia. O IABr diz, porém, que os 8 altos fornos e 13 aciarias que paralisaram as operações durante a pandemia já retomaram as operações.

"Vivemos uma retomada em V maiúsculo e um desenquadramento bastante conjuntural entre oferta e demanda, que vai se ajustando com o passar das semanas", argumentou Faraco.

Já a alta de preços dos produtos siderúrgicos, outra reclamação dos consumidores, resultaria da alta das cotações internacionais dos principais insumos, segundo a entidade. Minério de ferro, carvão e sucata acumulam alta de 78,9%, 20,2% e 33,9% no ano, respectivamente.

Melo Lopes diz que o setor revisou diversas vezes suas projeções de vendas este ano e, diante da retomada do consumo, já prevê fechar 2020 vendendo 0,5% a mais do que em 2019. A estimativa de recuo na produção, que em abril chegava a 18,8%, agora é de 5,6%,.

Para 2021, o IABr vê alta de 5,3% nas vendas. O índice de confiança calculado pelo instituto vem batendo recordes históricos, ressaltou Melo Lopes, chegando em outubro à marca de 85,2, quase 70 pontos acima dos 16,3 registrados em abril.

O executivo disse não temer grandes impactos de uma segunda onda de contaminações sobre a indústria siderúrgica, alegando que o conhecimento adquirido sobre o coronavírus pode evitar a necessidade de fechamento de fábricas ou de projetos de construção civil.

O setor quer discutir com o governo também medidas para garantir isonomia com importações e o uso de mecanismos de defesa comercial para evitar a invasão do mercado nacional por aço importado em um momento de grande ociosidade na capacidade global de produção.

Na entrevista, Melo Lopes criticou a possibilidade de acordo comercial com a Coreia do Sul, em negociação com o governo, dizendo que "não traz qualquer ganho" para a indústria brasileira.

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