Sindaçúcar-PE articula medidas para minimizar efeitos da pandemia no setor

Medidas vão desde a proposta de redução de tributos federais à inclusão do setor em programas de concessão de crédito junto ao BNDES e outras instituições financeiras

Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE)Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) - Foto: Anderson Stevens

Com uma queda acumulada que chega a 40% na demanda por etanol desde o início das medidas restritivas de combate à propagação da Covid-19 em Pernambuco, o setor sucroalcooleiro do Estado busca alternativas para minimizar os impactos dessa queda no segmento. Neste sentido, a liderança do setor em Pernambuco tem articulado uma agenda emergencial e nacional que vai desde a proposta de redução de tributos federais a inclusão do setor em programas de concessão de crédito junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES) e outras instituições financeiras.

Segundo dados do setor, o Nordeste conta com 70 empresas operando numa sazonalidade complementar ao Centro-Sul. As estimativas de produção para a safra 20/21, agora ficarão incertas até que possa haver um cenário mais claro para a retomada das produções e consumo. O setor tinha expectativa de esmagar 650 milhões de toneladas de cana no Brasil direcionadas em 54% para o açúcar e 46% para o álcool , com consequente produção de aproximadamente 38,9 milhões de toneladas de açúcar e 31 bilhões de litros de etanol.

“O nosso segmento antes da pandemia apresentava fundamentos de produção de oferta e demanda bastante maduros para que a safra 2020/2021, recém iniciada no Centro- Sul do país, apresentasse um melhor equilíbrio nas remunerações do produtor, face nossos custos de produção”, comenta Renato Cunha, que preside o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado (Sindaçúcar-PE).

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Como além de atuar como liderança estadual, Cunha é vice no Fórum Nacional Sucroenergético, participa também da inclusão do Estado em uma agenda emergencial ampla junto ao executivo nacional. Ela contempla além da inserção da indústria da cana no Programa de Grandes Cadeias Produtivas Nacionais em formatação no BNDES, a medidas fiscais, como a suspensão por 120 dias, renováveis por igual período, das taxas de PIS e Cofins incidentes sobre o etanol, assim como alteração da CIDE da gasolina, para que haja um colchão de amortecimento com equilíbrio da competitividade entre gasolina e etanol. “ Confiamos no senso de urgência do ministério da economia para os setores produtivos que de fato possam minimizar as soluções de continuidade na geração de renda”, explica o presidente do Sindaçúcar-PE. 

Outra medida que segundo Cunha pode permitir maior competitividade ao setor no período, diz respeito a estocagem de etanol com emissão de títulos (Warrants) devidamente certificados por empresas de supervisão credenciadas ao governo federal. Esses títulos seriam comercializados com o Banco Central de acordo com a PEC da Guerra 10/2020. “Essas seriam medidas atenuadoras da interrupção do fluxo de vendas até que haja a volta à normalidade e imprescindíveis para a manutenção dos postos de emprego”, afirma Renato.

Ele completa dizendo que além da agenda nacional, está trabalhando em outras medidas. " Estamos trabalhando ainda em medidas operacionais para a atual entre-safra em conjunto com as entidades que sempre atuam no desenvolvimento e manutenção da cana no nordeste”, conclui.

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