Site aposta no trabalhador mais maduro

Plataforma Maturijobs foi criada para ofertar oportunidades de trabalho para pessoas com mais de 50 anos e já obteve cerca de 850 contratações no País

Mercado de TrabalhoMercado de Trabalho - Foto: Pixabay

A avó do engenheiro de software Mórris Litvak, Keila, trabalhou até os 82 anos. “Super ativa”, como ele a descreve, Keila só se afastou do mercado quando se acidentou, em 2004. “Foi só ela parar de trabalhar que sua saúde decaiu rapidamente”, Litvak relembra.

Anos depois, em 2015, quando estourou a recessão econômica no País, ele observou um padrão. “Comecei a conhecer muita gente com mais de 50 anos perdendo emprego e sem conseguir se recolocar por causa da crise e da idade. Pessoas que me lembraram da história da minha avó. Fui pesquisar e vi que não tinha nenhuma iniciativa para aproveitar esse público, ninguém estava olhando para essas pessoas”.

Com o aumento da expectativa de vida do brasileiro, que passou de 75,8 anos para 76 anos de 2016 para 2017, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o engenheiro viu uma oportunidade de negócio e de impacto social. Foi assim que, com um investimento próprio estimado em R$ 500 mil, Litvak criou a Maturijobs, plataforma de trabalho e desenvolvimento para pessoas com mais de 50 anos. Nela, empresas publicam oportunidades de emprego e os cadastrados podem se candidatar. “Os usuários acessam gratuitamente, quem paga são as empresas para buscar profissionais”, explica.

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Uma das ações que a Maturijobs promove são encontros de networking, gerando parcerias entre os maturis. O primeiro encontro no Nordeste foi realizado no Recife e reuniu mais de cem pessoas no Clube Alemão. “Foi o maior público que a gente teve fora de São Paulo. Fizemos um painel com a consultora Mariângela Schoenacker, que falou sobre carreira, e outras três pessoas acima de 50 pessoas - Frederico Holanda, Zenaide Regueira e Telma Buarque - que se reinventaram depois da aposentadoria”, relata.

Para Litvak, o projeto cumpre uma função social. “A população está envelhecendo. Hoje, mais de 50 milhões de brasileiros têm acima de 50 anos. É muita gente e são pessoas produtivas”, diz. Para as organizações, absorver essa mão de obra também é vantajoso. “Tem a parte estratégica para as empresas que é aproveitar o potencial que essas pessoas têm: comprometimento, responsabilidade, experiência profissional e de vida, coisas que podem agregar bastante.”

Segundo o engenheiro, mais de mil vagas já foram disponibilizadas no site, resultando em 850 contratações. Hoje, mais de 700 empresas e 80.000 maturis, como são chamados os usuários, estão vinculados à ferramenta. “Mas o número de contratação ainda é muito baixo, é cerca de 1% da nossa base”, pontua. Pensando nisso, Litvak ampliou a plataforma para abranger novas formas de trabalho. “Hoje nosso foco tem sido a questão de empreendedorismo e ajudar essas pessoas a se virarem sozinhas independentemente de emprego tradicional, como freelancer, consultor, e empreendedor”, revela.

Psicóloga de formação, Mariângela Schoenacker, 54, construiu uma sólida carreira como diretora de recursos humanos em grandes organizações. Aos 50, decidiu empreender na área de consultoria. “Passei a trabalhar fazendo uma coisa que sempre gostei na vida inteira, com desenvolvimento de pessoas”, ela revela. Na empresa Lee Hecht Harrison, ela atende profissionais que estão se preparando para essa fase.

“A gente tem uma crença de que da vida não se aposenta. Se você se aposentou de uma empresa, não quer dizer que não possa contribuir e fazer coisas que tenham significado. O que oriento é que eles têm que descobrir nessa trajetória do passado o que gostam muito de fazer, o que sabem fazer bem, e o que cabe na sua vida.

Pode ser relacionado à carreira que tinha até então ou pode ser a oportunidade de desenvolver uma nova atividade que dá prazer e motivar a viver em a próxima etapa da vida”, aconselha Mariângela.

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